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Resenha: Vingadores: Ultimato (Sem Spoilers)



"Vingadores: Ultimato" eleva os filmes de super-heróis a um novo patamar,  e quem ganha com isso somos nós
Por Paulo Costa

Quando a projeção de "Vingadores: Guerra Infinita" (2018) terminou, me lembro de ficar extasiado assistindo aos créditos passarem. Era uma mistura de três sentimentos: duvida, angústia e esperança. Duvida pois não tínhamos a certeza de que tudo o que se desenvolveu era verdade ou não, angústia pois fomos conduzidos a um poço tão profundo impossível de acreditar que haveria uma saída e esperança, pois em todo e qualquer filme de super-heróis ficamos sempre na expectativa de que estes heróis darão um jeito de salvar o mundo. Ao me deparar com o estalar de dedos de Thanos (Josh Brolin, "Deadpool 2") e ver metade da humanidade sumir, isso incluindo metade dos heróis, foi uma tristeza que, de verdade, me abalou por dias. Eis que o tempo o passou, a Marvel Studios nos deu algum sinal de esperança em "Homem-Formiga e a Vespa" (2018) e na sequência nos trouxe a história de origem da "Capitã Marvel" (2019), este me deixando completamente tranquilo de que tudo poderia ser resolvido.

Depois de contar cada hora, cada minuto, este dia chegou e "Vingadores: Ultimato" (Avengers: Endgame) é uma verdadeira caixinha de surpresas e de muitas emoções. São 3 horas de risadas, lágrimas, sustos e momentos extremamente imprevisíveis que fará qualquer fã deste universo vibrar. A dupla de irmãos cineastas, Joe e Anthony Russo, entregam um desfecho épico que retorna às origens, mas não comete os mesmos deslizes e, muito longe disso, presenteia a plateia com uma obra que já posso considerar como um "clássico instantâneo". É um longa tão poderoso que ecoará pelo tempo e jamais será esquecido.

A estrutura utilizada para este desfecho já começa com uma cena que não poupa nenhum espectador. Sem letreiros, sem créditos, é uma cena que chega com os dois pés no peito, já arrancando algumas lágrimas. Depois desta abertura derradeira, o longa começa a desacelerar sem perder o ritmo e entrega até o final de seu primeiro ato algo sutil, em certos momentos bem humorados, em outros um pouco dramáticos, além de uma incrível sequência em Tókio (que não convém spoilers). Somos introduzidos ao universo particular que cada herói sobrevivente decidiu construir para si, mas, após isso, o segundo ato já começa a criar uma carga de tensão igual ou superior a "Guerra Infinita". Desse ponto em diante não tem volta, e mesmo que você não esteja preparado, teremos uma explosão de cenas extraordinárias que culminará em um final digno de lágrimas e aplausos.


O longa é capaz de trafegar pelo seu próprio universo e ainda assim surpreender. É um trabalho meticulosamente construído com uma narrativa de extremo impacto capaz de revisitar a memória afetiva deixada em cada um de nós, desde a primeira aparição de Thanos na cena pós-créditos em "Os Vingadores: The Avengers" (2012) até a cena pós-créditos de "Capitã Marvel".

Os efeitos também não deixam a desejar em nada, é um visual espetacular que explode aos olhos da plateia, encantando e emocionando. Sejam cenas na Terra ou no Espaço, tudo é detalhadamente bem construído. De encontros nos telhados de Nova York, a explosões e batalhas no meio do espaço, tudo é criado nos mínimos detalhes e se funde com uma fotografia esplendorosa e uma trilha instrumental que muito bem executada e construida é capaz de transpor a carga necessária para cada momento, fazendo as cenas que passam diante de nossos olhos se tornarem verdadeiras obras primas.

Com "Vingadores: Ultimato" a Marvel Studios comprovou que atingiu um nível de maturidade absurdo. Mesmo com altos e baixos, alguns filmes incríveis e outros nem tanto, ela conseguiu se desenvolver dentro da fórmula que criou para si e mesmo 11 anos depois jamais perdeu sua identidade, sua verdadeira essência. Ao contrário disso, mesmo depois de obras que não agradaram o público e até mesmo a crítica, não desistiu desta identidade. Dentro desse universo com sua própria assinatura soube se reerguer e, com este legado construído, arrisca hoje em lançar um filme de 182 minutos, que mal chegou aos cinemas e já possui mais de mil sessões com ingressos esgotados e se tornou a maior estreia dos últimos anos, provando que tal duração não é problema algum, pelo contrário, é o tempo necessário para se fechar uma história cheia de arcos que precisavam de um ponto final e que não poderiam terminar de qualquer maneira banal, é algo extremamente humano que em certos momentos é até possível de se esquecer que estamos vendo um filme de super-heróis.


Claro que nem tudo são elogios, por mais que o filme beire a perfeição, existem pequenos deslizes inclusive em seu roteiro, mas nada a ponto de prejudicar a experiência que o estúdio se propôs a contar. Isso, no entanto, fica para um outro momento já que seriam necessários alguns spoilers para pontuar esses fatos, no entanto são detalhes que até mesmo poderão passar despercebidos diante de toda sua magnitude quando analisado o material final entregue.

É algo tão grandioso e ao mesmo tempo cuidado com tanto exímio e respeito aos fãs, que é impossível dizer que a espera de tantos anos não valeu a pena. "Vingadores: Ultimato" é um momento particular de cada espectador, um momento que nos permite viver cada sentimento ao máximo e sem julgamentos. É o momento em que você senta na poltrona do cinema, desliga o seu celular e, durante as horas que seguem, te permite viver cada segundo do que ali foi construído. A junção desses elementos acabaram ultrapassando o simples entretenimento e criando uma imersão tão forte que se torna uma forma de agradecimento a cada um de nós que acompanhou este Universo até aqui.

Mas, no final, somos nós que temos que agradecer. Especialmente a Stan Lee, que seguiu seu sonho apesar das dificuldades e deu origem ao que hoje se tornou uma das maiores franquias do cinema. 




Comentários

  1. Candida Herrero Peralta26 de abril de 2019 05:53

    Ansiedade é pouco! Agora vcs me deixaram louca , contando os minutos para assistir

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  2. Que texto bonito, apaixonado, com sentimentos, além de despertar a curiosidade em quem ainda nem conhece o legado da marvel, parabéns!

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