33ª Mostra Internacional de cinema de São Paulo

"A Todo Volume", dinâmico e envolvente
Por Rodrigo Fidalgo

“A Todo Volume” (It might get loud, EUA, 2008) é dirigido por Davis Guggenheim, o mesmo diretor de “Uma verdade inconveniente”, aquele do Al Gore.

Aliás, diga-se de passagem, Guggenheim (nenhum parentesco com o criador do famoso museu de Nova York) é um cara de sorte: além de ter ganhado o Oscar de melhor documentário por “Uma verdade...” em 2007, também é casado com a belíssima Elisabeth Shue (de “Despedida em Las Vegas”).

O filme reúne para um bate-papo dentro de um estúdio três habilidosos e influentes guitar heroes de épocas e características diferentes. Para quê? Para conversar sobre:
1) a guitarra;
2) suas relações com o instrumento e como fazem para criar o estilo característico que sempre mantiveram;
e, finalmente, 3) sobre suas carreiras e suas bandas.

Esses três guitar heroes são nada mais nada menos que Jimmy Page, The Edge e Jack White.

No caso de Page, basta dizer que ele é o ex-guitarrista do Led Zeppelin para dispensar muitos comentários.

Sempre que alguma revista ou jornal resolve fazer uma lista com os maiores de todos os tempos, lá está o respeitável senhor inglês de 65 anos ocupando uma das primeiras posições.
Um dos guitarristas mais influentes de todos os tempos é aqui o, digamos, "representante" da década de 70.

The Edge, inglês criado na Irlanda, 48 anos, guitarrista do U2. Influenciado pelo punk rock, foi um dos principais nomes da chamada new wave dos anos 80, junto com bandas como R.E.M., Echo & The Bunnymen, Duran Duran e Simple Minds.

E, com 34 anos, o americano Jack White (do White Stripes) é o cara da atualidade, o garoto dos dias de hoje. Fortemente influenciado por Page e por outros artistas da década de 60 (como The Kinks, Animals, The Who e Jimi Hendrix).

White, coitado, apesar de também ser fera, fica meio apagado no meio dos dois "monstros" que são Edge e Page.

Apesar do documentário tomar o cuidado de dedicar o mesmo tempo para cada um dos guitarristas, o destaque maior acaba ficando com The Edge.

Para começar, ele é quem diz a frase que dá título ao filme. Depois é responsável pelos dois momentos mais engraçados do filme: primeiro de maneira indireta, quando Jimmy Page tem dificuldades para tocar “I will follow”, e depois quando comenta sobre o "segredo" por trás da introdução de “Elevation”.

“A Todo Volume” tem vários pontos fortes: é dinâmico, envolvente e, editado em formato de episódios, não deixa a peteca cair em nenhum momento (algo difícil de se conseguir em um documentário).

Além disso, Guggenheim, ao invés de ficar somente no bate-papo dos três, opta por contar um pouco da história de cada um deles dentro de seus respectivos grupos.

Obrigatório para guitarristas e para fãs de rock de uma maneira geral!


Curiosidades:
A música que os três tocam juntos no final é “The weight”, dos canadenses do The Band. Apesar de não ser muito conhecida no Brasil, a banda (sem trocadilhos...) foi um importante grupo entre o final dos anos 60 e início dos 70. Acompanhou Bob Dylan por muitos anos e tocou em Woodstock.

Para quem se interessar: foi lançado no Brasil em DVD o filme “The Last Waltz” (também conhecido como “A Última Valsa”), dirigido em 1978 por Martin Scorsese e é o registro do último show do grupo.



Imagens: Divulgação (Sony Pictures/Mostra Internacional de Cinema S.P.)
Trailer: Divulgação

Comentários

  1. Adorei o post do Fidalgo! Esse filme deve ser monstro: 3 guitarristas conceituados num documentario irado! Bom para quem está conhecendo as raízes do bom rock 'n' roll e para os veteranos que sempre souberam o que é boa música!

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