CineBook apresenta: "O Clube do Filme"

O "Cine&Cia." está lançando uma super novidade chamada "CineBook", um espaço reservado para a literatura e para o leitor do blog, um novo espaço, reservado para quem tem aquele livro favorito e quem tem tudo haver com o perfil do blog, ou seja, cinema... então se você tem algum livro favorito mande um e-mail para o endereço cineecia@live.com, e em breve ver seu texto divulgado aqui no "Cine&Cia".
Para começar vamos postar o texto da Aline Lima, 20 anos, São Paulo.

Olá pessoal! Gostaria de mostrar para vocês um livro que eu acho que muitos visitantes irão adorar, tem tudo a ver com o Cine&Cia! O dito cujo é “O Clube Do Filme”, de
David Gilmour, Editora Intrínseca.
Por Aline Lima

O livro autobiográfico fala sobre o cinquentão desempregado e sem rumo que ganhava a vida sendo crítico de cinema e livros para diversos jornais e para a TV, David Gilmour. Certo dia, vendo o baixo astral do filho de 15 anos, Jesse, quando o assunto é escola e a pouquissima carga de dever de casa do garoto, ele sente-se alarmado e o chama para conversar. Percebe que na verdade o garoto não suporta de forma alguma a escola que frequenta e muito menos o cronograma de estudos. Ok, nada de diferente da maioria dos estudantes nessa faixa etária. Mas David é quem faz toda essa história ser diferente e muito interessante: aproveitando o tempo livre por não ter emprego, propõe á Jesse que simplesmente largue a escola e seja educado por ele por meio de sessões de filmes semanais. Obviamente, Jesse concorda e é aí que a história comovente entre pai e filho começa.

Com o filme Os Imcompreendidos (1959), de François Truffaut, o leitor é simplesmente mergulhado no mundo dos filmes e começa a aprender sobre cinema junto com Jesse, um mundo em que David separa por “módulos” (ele leva realmente a sério essa história de “educação alternativa”), como o “Módulo Prazeres Culpados” ( “Uma Linda Mulher” (1990), “ Rocky III – O Desafio Supremo” (1982)), ou o “Módulo Tesouros Enterrados” ( “ Quiz Show – A Verdade dos Bastidores” (1994), “ A Última Missão” (1973)).

O bacana é ver que David faz uma pequena apresentação sobre os filmes antes de iniciar a sessão para Jesse, falando sobre curiosidades de filmagens (você acha que Stephen King gostou da adaptação que Stanley Kubrick fez para o filme O Iluminado? Não mesmo!), truques de diretores consagrados ( “Jesse, preste atenção na famosa tomada da velha senhora falando ao telefone (...). Observe que uma porta escurece um pouco a cena. Por que não podemos ver com clareza? Será que o diretor, Roman Polanski, cometeu um erro? Ou foi uma tentativa intencional de produzir um efeito qualquer?” – sobre O Bebê de Rosemary (1968)), uma pequena biografia sobre os diretores ( “Alfred Hitchcock tem uma queda pouco saudável por algumas atrizes loiras de seus filmes” ) e, é claro, muitas opiniões pessoais sobre tudo relacionado á sétima arte ( ele cita cinco motivos para os seres humanos A-MA-REM Jack Nicholson ).

Mas “O Clube Do Filme” não é simplesmente um livro sobre filmes. Paralelamente ao clube, acompanhamos o relacionamento entre David e Jesse nessa fase conturbada de suas vidas. Enquanto David tenta entrar em contato com velhos colegas para obter emprego, Jesse começa um namoro com uma vietnamita que o deixa aborrecidamente insano, isso quando ele não se envolve com drogas ou um bando de bêbados cubanos. Mas sempre David o salva – sem esquecer, é claro de um bom sermão á Jesse por se meter em confusão.

É realmente delicioso ver como os dois convivem, o filho cheio de inseguranças sobre garotas, o futuro e a vida, enquanto o pai tenta passar sua experiência ao máximo para o filho. A visão de David sobre o filho nos faz parar para pensar em nosso próprio relacionamento com nosso pai, em coisas do tipo “poxa, eu deveria tê-lo ouvido” e termos vontade de correr para abraçar nosso velho. Na última cena do livro (um show de rap, vê se pode!) eu não consegui conter as lágrimas ao acompanhar um pai orgulhoso vendo seu filho aonde ele sempre quis: no topo, fazendo o que gosta, com quem gosta, com um “quê” de dever cumprido.

Um livro recomendado para pais que querem desvendar seus filhos, filhos que querem desvendar seus pais, quem simplesmente esteja á procura de uma boa biografia familiar, mas, principalmente, é claro, para amantes de um bom cinema.





Imagens e vídeos: Divulgação

Comentários

  1. Gente, leiam esse livro, é maravilhoso, um dos melhores livros que li no ano. Vale a pena.

    Mandem seus textos sobre seus livros favoritos, vai ser muito legal compartilhar nossas estantes literárias!

    E obrigada ao Paulo e toda a equipe do Cine&Cia que publicaram com tanto carinho minha opinião sobre esse lindo livro.

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