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É incrível a capacidade dos italianos de alcançar com maestria os dois extremos: a comédia e o drama. As comédias sempre são engraçadíssimas, e os dramas sempre são belos e emocionantes.

Para ficar só na drama, como é o caso deste “A árvore dos tamancos” (L'albero Degli Zoccoli), basta citar três exemplos de três épocas bem distintas: “Ladrões de bicicleta” (de 1948), “Rocco e seus irmãos” (de 1960) e “Cinema paradiso” (de 1989). Afinal, quem não se emocionou com esses filmes?

E este não foge a regra: é um belíssimo filme de época de Ermanno Olmi, o mesmo diretor de “A lenda do santo beberrão”, filme de 1988 com Rutger Hauer que ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Aqui nos é contada a história de um grupo de camponeses do norte italiano, região em que todos, inclusive as crianças, tem que ajudar na lavoura.

Porém, uma das famílias é orientada por um padre local a colocar um de seus filhos na escola, uma vez que o garoto é muito inteligente. Fato que acaba trazendo inúmeras dificuldades para essa família, pois a escola fica a 6km de distância do local e seus pais mal tem condições de comprar roupas para ele.

Em um dos dias em que o garoto volta da escola está mancando, pois seu sapato se desfez pelo caminho. Seu pai, em uma das cenas mais emocionantes do filme, derruba uma árvore para fazer tamancos para que ele possa continuar indo para a escola sem se machucar. Daí o título do filme.

Apesar de exageradamente longo (quase 3 horas, o que o torna um pouco cansativo), este filme é considerado sua obra-prima. E não é para menos: ganhador da Palma de Ouro no Festival de Cannes e ganhador do César (o Oscar francês) de melhor filme estrangeiro, entre outros prêmios...

“A árvore dos tamancos” foi um dos últimos filmes ligados ao movimento neorrealista italiano, criado pelo diretor Roberto Rossellini com seu “Roma, cidade aberta” (1945).

Mais ou menos como o movimento dinamarquês Dogma 95, o Neorrealismo pregava um cinema mais realista, como próprio nome já diz. Porém, com um lado político e de crítica social bem mais acentuado do que o dos contemporâneos cineastas nórdicos.

Curiosidades:

- Nenhum ator do filme é profissional. Todos são camponeses de verdade da região de Bérgamo (onde nasceu o diretor) e seus diálogos são todos no dialeto local.

- Ermanno Olmi dirigiu seu primeiro longa-metragem em 1959, e pouquíssimos filmes seus foram distribuídos no Brasil. Em DVD só temos este “A árvore dos tamancos” e “A caminhada sagrada”, também lançado pela Versátil.

- Nenhum filme seu da década de 90 foi lançado comercialmente no Brasil. Antes de “A lenda do santo beberrão”, somente “O posto” (1961) e “Os noivos” (1963) chegaram a passar por aqui.

- 20 anos depois de “A lenda...”, Olmi ganhou outro Leão de Ouro no Festival de Veneza, desta vez pela carreira/conjunto da obra. O júri na ocasião, 2008, foi presidido por Wim Wenders.

- Duas de suas obras mais recentes foram “A profissão das armas” (2001), que participou da seleção oficial de Cannes, e “Tickets” (2005), que foi exibido na 33ª Mostra de Cinema de São Paulo.
Em “Tickets” ele divide a direção com outros dois feras do cinema contemporâneo: O iraniano Abbas Kiarostami e o inglês Ken Loach.


Imagens e vídeos: Divulgação

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