O labirinto psicológico de "Por trás dos seus olhos" Por Vanessa França
Uma série que deixa saudades até hoje do seu jeito leve de lidar com assuntos difíceis Por Lulu Ribeiro
Com a série chegando ao fim, podemos ver que a sala dos roteiristas é escura e cheia de horrores Por Pedro Soler e Lulu Ribeiro
Novo romance "O Sol Também É Uma Estrela" também aborda problemas atuais Por Estefania Goto
Realidade e fantasia se colidem para contar a história de um dos mais celebrados autores de todos os tempos Por Lulu Ribeiro

Cinema: "No Olho da Rua"

Metalinguagem tem limite
Por Edu Fernandes (Blog Cine Dude)


No olho da Rua, que estreou no Rio de Janeiro e em São Paulo na última sexta-feira (13), perpetua alguns vícios do cinema brasileiro. Além do trailer pavoroso e de uma história descolada do contexto atual, o tema deste texto é uma terceira teimosia tupiniquim: a inserção de um personagem cineasta (que por vezes é um cinéfilo ou roteirista) na história do filme.

Em No Oho da Rua, o fatídico papel foi incumbido a Leandro Firmino da Hora (Cidade de Deus) e é o personagem mais divertido do filme. O problema é que o fato de ele ser aspirante a cineasta é totalmente ao enredo.


Leandro interpreta Algodão, um carioca radicado em São Paulo que estudou cinema. Ele quer registrar as amarguras vividas por Oton (Murilo Rosa). O protagonista é um metalúrgico que perdeu o emprego.

Todas as funções dramáticas de Algodão poderiam ser desempenhadas sem que ele necessariamente fosse um cineasta. Tal excesso fica evidenciado especialmente quando se percebe que a ideia de registrar as penúrias de Oton é “esquecida” pelo roteiro conforme o filme avança. Algodão é o alívio cômico do filme, a voz da favela e o companheiro de aventuras do protagonista. E só.

Mas qual o problema de ele ser um cineasta? Pois bem, poucas pessoas comuns conhecem um cineasta (isso vale também para quadrinista). No Brasil, o cinema (e os quadrinhos) é uma área de interesse bem limitado junto à população. Quando se coloca constantemente um cineasta (ou quadrinista) no roteiro de um filme (ou HQ), o cinema torna-se mais umbilical, fechado em si mesmo e assistido apenas pelas mesmas pessoas de sempre.

Os Desafinados (Divulgação)

Se a classe do cinema (realizadores, críticos, cinéfilos,...) quisermos que o nosso amor pela sétima arte seja praticado por mais pessoas, precisamos tornar nosso cinema mais acessível. Esse vício – partilhado por Podecrer! e Os Desafinados, em exemplos atuais – precisa ser controlado. A metalinguagem (elementos de um filme dentro de um filme), quando bem usada, dá bons resultados. Nesse sentido, vale a pena conferir Saneamento Básico - O Filme.

Para finalizar, pensemos como essa questão se apresenta em áreas culturais mais bem sucedidas no quesito popularidade. Quantas telenovelas trazem um novelista como um de seus personagens?

Comentários