Cinema: Bel Ami - O Sedutor

Um excelente elenco feminino em uma trama de manipulações afetivas e jogos de poder
Por Márcio Dorvillé


Scott Thomas, Thurman e Ricci que retorna com mérito as telonas (Divulgação)

Da obra de Guy de Maupassant, do século XIX, "Bel Ami - O Sedutor" (Bel Ami) em cartaz desde o dia 08 de agosto, conta a história de Georges Duroy (Robert Pattinson), ex-soldado e filho de camponeses que, ao reencontrar um antigo companheiro do exército num bordel, consegue ajuda deste para sair da situação em que se encontra. É apresentado a Madeleine (Uma Thurman), que sugere à Duroy que escreve suas lembranças do tempo de militar para o jornal da oposição onde seu marido tem cargo de grande importância. Porém, Georges é semianalfabeto, culturalmente limitado e um tanto quanto ingênuo, sendo facilmente manipulado pela beleza e inteligência de Madeleine. Jovem, é passional e ambicioso, o que leva a se envolver com Clotilde (Christina Ricci) e Virginie (Kristin Scott Thomas).

(Califórnia Filmes)
A história, que conta as oscilações na escalada social de "Bel Ami", já foi adaptada inúmeras vezes para teatro, televisão e cinema. Se o filme é bom? Não é de todo ruim. A cenografia é caprichada, o figurino é bem cuidado e as locações, mesmo baratas, já que o longa foi quase todo filmado na Hungria por ter uma orçamento mais modesto, e lembrando o último "Dorian Gray" (2011), são bonitas.

Ainda não foi dessa vez que Pattinson se livrou do estereótipo de seu frio e silencioso vampiro Edward de "A Saga Crepúsculo" (The Twilight Saga). Com tanto altos e baixos na vida de Duroy, o jovem ator não sustenta o ritmo do personagem, deixando várias cenas com emoções pela metade, cortadas. Por diversas vezes temos que adivinhar ou deduzir a emoção do personagem. Tudo fica introspectivo demais, e nem a desculpa da "frieza" europeia justifica, a passividade aqui é única e exclusiva do ator.

Em contrapartida, temos um excelente elenco feminino que sustenta algumas ótimas cenas durante o filme. Uma Thurman se redime de sua Medusa em "Percy Jackson e O Ladrão de Raios" (The Lightning Thief, 2010) com um sotaque e uma sensualidade ímpar. Não a vejo bem desde o fraco e melodramático "Sem Medo de Morrer" (The Life Before Her Eyes, 2008). Mas ainda assim não é a melhor do elenco, esse mérito fica com o retorno de Christina Ricci, que vai da inocência à sensualidade de maneira leve e precisa. O patinho feio de Hollywood cresceu e tem tudo para surpreender furutamente, se souber escolher bons projetos. Já Kristin Scott Thomas não costuma decepcionar e o mesmo acontece aqui, onde nos delicia com algumas das poucas cenas realmente divertidas no filme.

Thurman se redime de seu fiasco em "Percy Jackson", já Pattinson continua "frio" como em "Crepúsculo" (Divulgação)

É impossível não compará-lo a filmes como "Ligações Perigosas" (Dangerous Liaisons, 1988), este também com Uma Thurman, mas em ínicio de carreira. Por mais absurda que essa comparação possa parecer - e é! -, o fato de ser um filme de época e de tratar de manipulações afetivas e jogos de poder, nos remete a diversos outros do mesmo gênero.

"Bel Ami - O Sedutor", não foi bem sucedido lá fora, não rendendo nem meio milhão nos EUA, e por aqui também não deve fazer muito barulho, inclusive por ser um lançamento mediado e lançado num período de grandes estreias. Fãs de "A Saga Crepúsculo", ou o que sobrou depois do escândalo do casal hollywoodiano mais frio e sem sal do momento, devem perder algum tempo nas poucas salas de cinema em que o filme será transmitido. Foras estes, indico para os mais apaixonado por filmes de época. Não será nenhum frescor para o gênero, mas não te matará por completo tédio.

Agora é esperar para ver se Robert Pattinson, em "Cosmópolis" do diretor Conenberg que deve chegar as salas do país em setembro, vai conseguir finalmente provar que tem mais para mostrar ao público do que seu personagem de pele fria da saga que se encerra esse ano.


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