Cine&Cia. Class: Um Estranho no Ninho



Um filme arrebatador, daqueles que permanece durante muitos e muito dias em nossa cabeça...
Por Rodrigo Fidalgo

Talvez o fato mais curioso, entre tantos, de “Um estranho no ninho” é que ele é um dos filmes mais importantes e premiados da história do cinema americano. E foi dirigido por um... europeu!
Um tcheco, para ser mais preciso.

Milos Forman foi procurado no início da década de 60 por Kirk Douglas para dirigir a versão para o cinema de “One flew over the cuckoo’s nest” - o livro mais famoso de Ken Kesey, um dos escritores ícones da contracultura americana.

Kirk tinha produzido e estrelado uma peça na Broadway baseada no livro, porém sofreu muitas críticas e não foi muito bem de bilheteria. Querendo levá-lo para as telonas, entrou em contato com Forman (cujos últimos filmes realizados em seu país-natal - “Os amores de uma loira” e “O baile dos bombeiros” - haviam sido indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro).

Mais de dez anos se passaram até que seu filho Michael (então um desconhecido) resolveu dar continuidade ao projeto do pai.

E, produzindo um filme pela primeira vez na vida, Michael Douglas realizou em 1975 um dos maiores sucessos de público e de crítica! Um filme arrebatador, daqueles que permanece durante muitos e muitos dias em nossa cabeça...



Forman dirigindo Jack Nicholson (divulgação)


Foi o segundo filme na história do Oscar a ter ganhado os cinco principais prêmios: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Jack Nicholson), melhor atriz (Louise Fletcher) e melhor roteiro, além de outras quatro indicações em 1976. Isso sem falar em Globo de Ouro, César, Bafta, National Board of Review, etc...

Nicholson interpreta Randall, um desajustado que se faz passar por louco para ser internado em um hospício e não ter que trabalhar. Porém, na clínica ele bate de frente com a diretora interpretada por Fletcher, sem imaginar os problemas que esse embate pode lhe causar.

Entre os atores que interpretam alguns dos internos do hospício, temos Brad Dourif (famoso pelo Grima de “O senhor dos anéis” e por emprestar a voz ao brinquedo assassino Chuck na série de filmes) e Christopher Lloyd (o Doc de “De volta para o futuro” e tio Funéreo de “A família Addams”) em seus primeiros papéis, além de um Danny DeVito jovem e em início de carreira.

Segundo filme realizado por Milos Forman nos Estados Unidos, que se naturalizou estadunidense e se tornou um dos mais conhecidos, celebrados e respeitados diretores contemporâneos, realizando outras obras importantíssimas como “Hair” (1979), “Na época do ragtime” (1981), “Amadeus” (1984, pelo qual ganhou o seu segundo Oscar), “O povo contra Larry Flint” (1997) e “O mundo de Andy” (1999) e "Sombras de Goya" (2005).

O cineasta que faleceu nesta sábado, 14, aos 86 anos, foi o primeiro diretor a ganhar duas vezes o Oscar. E além dele, somente outros cinco conseguiram a proeza: Oliver Stone, Clint Eastwood, Steven Spielberg, Ang Lee e Alejandro Gonzalez Iñarritu.



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