Resenha: "Vingadores: Guerra Infinita" (Sem spoilers)


De uma grandiosidade inimaginável e dramaticidade arrasadora, a espera valeu a pena

Por Paulo Costa
Revisão e complemento por Fabrícia Toledo


A espera acabou! “Vingadores: Guerra Infinita” (Avengers: Infinity War) chega aos cinemas em uma estreia esmagadora e, dizer que este é de longe o maior e o melhor filme da Marvel Studios não é exagero algum, ao menos para os fãs do gênero é um prato cheio com direito a entrada e sobremesa.

Em comemoração aos seus 10 anos, a Marvel presenteou seus fãs com uma obra de grandiosidade inimaginável, a começar pelo enredo muito bem amarrado. Temos em cena uma porrada de personagens e acertar nisso já é algo louvável, pois se falhasse, o filme seria aquilo que venho sempre dizendo: apenas uma salada de frutas. Enfim, a história principal não deixou nada a desejar. Em seu primeiro ato temos importantes informações de obras anteriores sendo refrescadas em nossa memória de forma pontual e concisa, a construção dos núcleos e como os personagens vão se reencontrando após os eventos de “Guerra Civil” (2016) está muito bem exposto em tela e a partir daí, prepare seu coração, pois a dramaticidade vai crescendo, crescendo e crescendo até um desfecho arrasador que causará espanto até em quem estava mais receoso com relação a este filme (eu era um desses). Vale também ressaltar que o roteiro conseguiu, inclusive, corrigir falhas graves deixadas em outros filmes do estúdio.

Claro que como todo bom filme, o longa dos irmãos Russo também possui alguns deslizes que incomodam. A Viúva Negra (Scarlett Johansson) é mais uma vez a coadjuvante do coadjuvante do coadjuvante, mais uma vez saio da sessão com o sentimento de que uma boa personagem foi deixada no limbo e ali está apenas por estar, mesmo com uma ótima participação em duas belas cenas de ação. O mesmo posso dizer de Steve Rogers (Chris Evans), nosso eterno Capitão, com uma nova identidade pós Guerra Civil, merecia um destaque maior devido sua relevância no MCU. Foram anos de espera para ver o personagem atingir esta maturidade e quando acontece é tudo muito rápido e sem a profundidade esperada, mas dadas as circunstâncias, não é nada que atrapalhe o filme em sua magnitude. E pensando de forma geral, até que pode ser  justificado para o próximo longa.




Se você achou que eu iria reclamar da fórmula Marvel e suas piadas, o que geralmente me incomoda em suas últimas produções, você está muito enganado! Um dos grandes trunfos está justamente nisso. A estrutura de cada trama se mantém fiel às características originais de seus personagens, permitindo que o espectador trafegue por elas e as identifique claramente. Temos ali a essência de “Guardiões da Galáxia” (2014 e 2017), a trilha retrô, o humor escrachado, as sátiras internas... Homem de Ferro mantendo-se fiel ao playboy milionário, superinteligente, rumo ao altar com Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), como visto no 3º filme do personagem. Temos o universo enigmático, surreal e mágico de “Dr. Estranho” (2016). Wakanda está lá com toda a essência construída em “Pantera Negra” (2018), visível aos olhos desde da carismática e divertida Shuri (Letitia Wright) a seu irmão rei T’Challa (Chadwick Boseman) com sua imponência elegante. Os momentos de tensão são intercalados de forma balanceada com a descontração já característica dos filmes do estúdio. Até culminar nas reuniões dos heróis e a mescla destes universos criando dinâmicas que não apagam o contexto dos personagens em si, fazendo o filme manter-se fiel a sua própria essência de mixar universos particulares, e de certa forma, se reinventar momentaneamente.

A pessoa que vos escreve não conseguiu gostar de nenhum dos três filmes "Thor", por exemplo, mas se encantou com o personagem apresentado em "Guerra Infinita", onde finalmente se mostra como o deus que é, não apenas um paspalho abobalhado como apresentado em várias cenas de seu último longa (2017) ou o senhor da razão que é facilmente enganado nos dois longas anteriores (2011 e 2013).





A edição frenética também é algo importante a ser citado. São quase 2 horas e 40 minutos de filme, uma longa duração que poderia torna-lo chato e arrastado, mas na verdade nem sentimos as horas passarem. Temos um trabalho muito bem desenvolvido que quando se funde com a trilha de Alan Silvestri, consegue ampliar a dramaticidade do terceiro ato do longa ainda mais, já que realmente tudo decorre a momentos grandiosos, com a carga dramática que os filmes da Marvel pecaram em várias tentativas para entregar.

Mas e Thanos? Finalmente temos o titã louco entre nós e isso por si só já bastaria, mas aqui o grande vilão desponta e nos mostra que a espera de 10 anos e 18 filmes valeu a pena. "Guerra Infinita" é sobre ele, com os heróis orbitando ao seu redor. Josh Brolin conseguiu entregar um excelente vilão que este universo cinematográfico ao longo dos anos também deixou a desejar e que tanto se apoiou em Loki (Tom Hiddleston) e ganhou Killmonger (Michael B. Jordan) recentemente em "Pantera Negra". Thanos é um vilão coerente, apesar de suas ideias distorcidas de realidade, sem ser megalomaníaco, mas com pensamentos e ideias magnificentes.

Aliás, para quem esperou todos estes anos, temos que agradecer por terem feito de “Guerra Infinita” o que ele realmente merecia ser: um épico de super heróis, de proporções grandiosas, com um desfecho capaz de me fazer sair da sala tremendo e com o coração disparado, sem esquecer de um pequeno detalhe, possui a melhor cenas pós-créditos ever!




Comentários

  1. Realmente o texto não conta espoilers e define muito bem o que foi o filme. Um thriller sustentado em três pilares: indução, angústia e fé. Indução porque faz com que você acredite em coisas que podem ou não ser verdade, angústia porque a trama vai sendo levada a um beco que pode ter ou não saída e fé, porque sempre tendemos a achar o os super heróis vão dar um jeito. Tudo isso com o acréscimo de tiro, porrada e bomba, além de piadas muito bem elaboradas. Arrisco uma nota 10! Parabéns pelo texto!

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