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Resenha: O Nome da Morte



Filme baseado na história do matador de aluguel Julio Santana, que afirma ter assassinado mais de 490 pessoas, traz a reflexão sobre escolhas

Por Cristina Gusmão
contém leve spoilers da trama

O longa nos faz percorrer a história da criação do pistoleiro, nos levando a conhece-lo, ainda jovem. Julio (Marco Pigossi) era morador de uma cidade qualquer no interior desse nosso enorme Brasil que não sabe ao certo que rumo tomar na vida e é levado por seu tio Cícero (André Mattos) para morar na cidade "grande" para se tornar policial. Ao chegar na tal cidade, Julio descobre que apesar da farda sempre lavada e engomada o tio na verdade não é policial, seu trabalho consiste em matar pessoas por dinheiro. Julio acaba, ainda que relutantemente, entrando nesse universo de pistoleiros, mas sua consciência e seu medo de "Deus" o faz questionar os motivos de matar e nos leva a paralelos interessantes.

O personagem vai amadurecendo ao longo de sua  jornada, tio Cícero se torna mentor, agenciador e uma ferramenta de mudança na vida do pistoleiro, primeiro lhe ensina sobre as regras dessa nova vida como respeitar outros matadores, não roubar os pertences da vitima. E como segunda lição, cabe a ele desmistificar Deus como o único responsável pela punição das pessoas. Nas próprias palavras de Cícero ao sobrinho, não cabe ao matador decidir se a vitima deve ou não morrer, só cabe a ele apenas receber o pagamento e cumprir o serviço.

Diante dessas afirmações e dos sucessivos serviços que são propostos a Julio, com os diversos “tipos” de pessoas que são executadas, a morte acaba se tornando algo banal, ainda que algumas vezes a consciência de Julio o confronte.

Ao tornar a morte algo banal, Julio mecaniza sua vida, onde a morte gera o lucro e a satisfação através da aquisição de bens, em levar presentes para família que continua morando no interior, e ao olharmos por está ótica, o crime parece compensar. A naturalidades com que ele passa a tratar a morte é tanta que ao conhecer e se apaixonar por Maria (Fabíula Nascimento), ele solicita ao tio que aumente o número de serviços, porque decidiu comprar uma casa e formar uma família. Só que junto com a família vêm os obstáculos em esconder sua verdadeira profissão, vem as primeiras dificuldades financeiras e as dúvidassobre como educar seu filho.

A direção do longa soube conduzir muito bem todos os personagens e, especialmente em Julio (Pigossi), podemos ver a transformação do menino que não sabia o que queria ao certo, até a transformação no homem decidido. O longa percorre os altos de baixos da vida e da consciência do protagonista, que passou uma única noite na prisão, nunca foi acusado formalmente por nenhum crime, arrastou sua mulher para sua vida marginal, ora estável, ora miserável. 

O filme nos serve como uma bússola, não sobre moralidade, certo ou errado, mas sobre o preço estamos dispostos a pagar por nossa paz de espírito?

Também estão no elenco: Matheus Nachtergaele, Tony Tornado, Marie Paquim, Augusto Madeira, Martha Nowill, Gillray Coutinho, André Luiz, Dante Parreão, Marcelo Madureiro Soares, Jota Ferreira, Demy Britto, Jessica Alencar, Antonio Piaui, Hygor Diniz.

O longa é baseado no livro homônimo de Klester Cavalcanti , com direção de Henrique Goldman (Jean Charles) e roteiro de George Moura e Henrique Goldman.

O filme, distribuído pela Imagem Filmes, já está em cartaz. Duração: 98 minutos.









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