Festival de Veneza: "Coringa" vence o principal prêmio. Brasil também marca presença entre os ganhadores
Cinema: confira a programação do Shell Open Air 2019
Cinema: "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz, concorrerá a uma vaga no Oscar 2020 de Filme Internacional
Cinema: Ficção cientifica estrelada por Kristen Stewart e Vincent Cassel tem seu primeiro trailer divulgado
Séries: revelada a quantidade de episódios de "Loki", da Disney+
Séries: Elenco da 3ª temporada de "The Crown" em ensaio fotográfico inédito

Resenha: Climax


Gaspar Noé ousa mais uma vez ao tornar a fragilidade da mente humana a personagem principal em novo filme
Por Pedro Soler

A década é a de 90. Os personagens, dançarinos experientes e habilidosos. O local, o meio de uma floresta. Estes elementos, que parecem combinar mais com um filme de terror, se transformam em uma desconcertante jornada à histeria coletiva em que o espectador ora ri, ora se incomoda com a alta dose de realidade. E está tudo bem, afinal, somos humanos.

Depois de um ensaio, um espetáculo maravilhoso que temos o prazer de presenciar, há uma festa com muita música, dança e sangria. Nesta festa, os dançarinos conversam e interagem entre si de um modo tão descontraído que lembra intimidades trocadas entre melhores amigos, nos permitindo julgá-los. Talvez, me atrevo a dizer, a intenção tenha sido essa: nos fazer julgá-los por suas opiniões íntimas compartilhadas entre copos de sangria. Passado algum tempo, cada um deles que tomaram a sangria começam a se fragilizar, tomando consciência de que havia alguma droga na bebida.

É aí que o filme passa a fase inicial de apresentação e recepciona a personagem principal que chega derrubando portas e destruindo (ou não?) tudo por onde passa. Utilizando a droga como estopim, a histeria e o caos se instauram. Os dançarinos, até então munidos de todas as proteções que a mente humana nos oferece, se encontram despidos de tais seguranças e escravos de suas inseguranças, desejos e neuras. E todo aquele julgamento que fizemos em um primeiro momento cai por terra. Ao vermos os dançarinos sem as máscaras sociais, somos obrigados a reavaliar nossas opiniões.

Já a câmera é um trabalho de imersão à parte feito com maestria. É ela quem nos conduz entre os personagens, flutuando até onde há mais tensão e conflitos. Além dessa função de guiar-nos pela festa, ela também é utilizada como um recurso de storytelling. Impossível explicar sem spoiler, mas garanto que, quando vocês verem, vão entender.



A sonoplastia também nos marca no decorrer do filme. Como se trata de uma festa, podemos esperar um som alto com batidas fortes. Mas a sutileza em permitir que as músicas ditassem o ritmo do longa, se intensificando conforme ele passa, contribui para uma experiência única ao vê-lo no cinema. Não percam a oportunidade de assistir o vencedor da Quinzena dos Realizadores do último Festival de Cannes, principalmente se procura uma experiência mais intensa do que o cinema tradicional nos oferece nos dias de hoje.

O elenco conta com Sofia Boutella ("A Múmia", "Atômica"), Souheila Yacoub ("Plus Belle La Vie", "Les Affamés"), Romain Guillermic ("Elektro Mathematrix"), Claude-Emmanuelle Gajan-Maull ("Les engagés", "Charbon"), o DJ Kiddy Smile e vários dançarinos escolhidos pelo próprio diretor na França, como Lea Vlamos, Kendall Mugler e Sharleen Temple.

Veja o trailer a seguir:




Comentários