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Resenha: Alita - Anjo de Combate





Com ação e roteiro de qualidade, cinema norte-americano acerta sua primeira adaptação de mangá
Por Pedro Soler

Depois de filmes como "Vigilante do Amanhã" e "Death Note" é bem compreensível o temor que surgiu ao redor de "Alita - Anjo de Combate". Embora existam bons filmes live-action adaptado de mangás e animes, nenhum deles tinha surgido em Hollywood até agora. Os roteiristas James Cameron ("Avatar"), Laeta Kalogridis ("Carbono Alterado") e Robert Rodriguez ("Sin City"), responsável também pela direção, conseguiram transpor para o filme a essência da trama e dos personagens originais, mesmo entregando algo inédito ao visar a aplicabilidade da história no cinema.

No longa acompanhamos Alita (Rosa Salazar, "Maze Runner"), uma ciborgue encontrada pelo Dr. Ido (Christoph Waltz, "007 contra Spectre") na descoberta do mundo ao seu redor e de suas próprias memórias. A sociedade decadente que Alita encontra, com falta de valores morais e éticos, é construída com a familiaridade de nossas cidades e a estranheza da mistura da carne e do metal. Esse, por sinal, acaba sendo uma das questões levantadas pelo filme: até onde é possível ser humano quando se é quase todo de aço?

Com reflexões sutis que se escondem em diálogos que aparentam simplicidade, temos que nos perguntar o que significa realmente estar vivo. Uma das ferramentas utilizadas no roteiro para surtir esse efeito é a diferença de personalidade entre a protagonista e as demais personagens. Isso é explicado no filme, novamente de um modo sutil, mas é essa sutileza que faz com que nos importemos com todos na tela. Coragem, medos e motivações são explicados com cuidado, nunca subestimando o espectador e sempre com naturalidade durante o longa.

Enquanto a profundidade dos personagens nos cativa, as cenas de ação são esplêndidas. Com uma coreografia bem executada, CGI fantástico e uma preocupação estética que busca o real através da captação de movimento dos atores - mesmo com as melhorias nos corpos, ninguém sai voando ou causa grandes explosões -, as lutas se tornam um prazer de assistir. A câmera não se perde e podemos acompanhar todos os acontecimentos com tranquilidade, sem nos confundir.


Pensando em Gunnm, o mangá que inspirou o filme, há algumas diferenças de ritmo e roteiro. Algo já esperado, pois toda obra precisa ser adaptada para sua plataforma utilizada. Essas mudanças, no entanto, não são um contra, mas um respiro novo à obra que surge nos moldes cinematográficos e tem o potencial de agradar aos fãs do mangá. A maior diferença entre ambos é a história de um personagem, o que pode desagradar alguns, mas é compreensível levando em consideração a classificação. Vale lembrar que, como não é o mangá completo que foi adaptado, o longa segue em seu tempo, sem que a pressa o faça atropelar acontecimentos e abra espaço para possíveis continuações.

O filme conta também com outros nomes de peso em seu elenco, como Mahershala Ali ("Moonligh" e "Green Book: O Guia"), Jennifer Connelly ("Uma Mente Brilhante") e Edward Norton ("Birdman"). Com estreia marcada para 14 de fevereiro, "Alita - Anjo de Combate" é uma aposta certeira para fãs de cyberpunk - sociedades distópicas futurísticas - e ação.




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