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Resenha: Poderia Me Perdoar?


Em filme feito nas medidas para o Oscar, o que surpreende é a atuação de Melissa McCarthy

Quem conhece a atriz Melissa McCarthy de filmes como "Caça-Fantasmas" (2016), "A Espiã que Sabia De Menos" (2015) ou até mesmo séries como "Gilmore Girls" (2000-2007), está acostumado a ver, quando não um sorriso em seu rosto, uma postura positiva. Sua expressão corporal costuma passar a impressão de alguém que, no final do dia, está de bem com a vida. Já em "Poderia Me Perdoar?" (Can You Ever Forgive Me?), tive a vontade desesperadora de pegar o celular nos primeiros minutos do filme para ver se não havia errado o nome da atriz de tão irreconhecível que ela estava.

No filme que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 07/02, McCarthy interpreta Lee Israel, uma talentosa escritora de biografias que sofre de bloqueio criativo, alcoolismo, mal humor crônico e uma conta vazia. Após ser demitida, Israel encara o desespero e começa a falsificar cartas, assinando-as como escritores famosos e vendendo-as por altas quantias. A atuação é impecável, sendo quase impossível perceber qualquer traço da famosa atriz de comédia que conhecemos. Não é a toa que McCarthy foi indicada ao Oscar deste ano para Melhor Atriz.

Também o ator Richard E. Grant, foi indicado ao Oscar para Melhor Ator Coadjuvante e, assim como McCarthy, foi uma indicação mais do que merecida. Inclusive, são essas atuações que elevam o longa. Tanto Jack Hock (Grant) quanto Lee Israel são tão convincentes que, ao invés de nos fazer esquecer que estamos assistindo um filme, nos lembram que estamos presenciando a história de pessoas reais. Estas atuações tornam o filme digno de ser visto.

Apesar disso, o desenrolar da história deixa a desejar. A terceira indicação ao Oscar de "Poderia Me Perdoar?" é de Melhor Roteiro Adaptado, mas isso se deve à fórmula rígida ao qual o filme segue e que a Academia tanto gosta. As reviravoltas acabam se tornando previsíveis, não quais são, mas quando irão acontecer, o que tira um pouco da graça. O único momento em que o filme brinca com a expectativa do público se torna um mero aviso do que virá a seguir.



Um outro ponto negativo do filme é que, apesar de acompanharmos Lee Israel por sua ótica, no terceiro arco presenciamos acontecimentos pontuais por outra perspectiva. Isso provavelmente acontece para preencher lacunas, mas são detalhes que, no final das contas, não importam e não contribuem positivamente para a trama. Seríamos mais do que capazes, como a própria personagem foi nas cenas seguintes, de intuir essas informações. Ou só deixassem a personagem intuir e nos dizer o que aconteceu para confirmar nossas suspeitas. Entretanto presenciamos ambas as cenas: o acontecimento e a compreensão da personagem sobre os fatos com sua explicação verbal do ocorrido.

Apesar dessa rigidez e detalhes pontuais, o filme funciona e vale o ingresso. Munido de uma bela ambientação, ele tira proveito até das cores frias e tons escuros para abordar com suavidade a controversa figura que foi Lee Israel, alvo de debates até hoje.



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