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Resenha: Sex Education


Uma série onde o sexo é tudo, menos um tabu
Por Lulu Ribeiro

Sexo. Uma palavra tão pequena e com tantas facetas, praticamente um universo novo dentro de quatro letrinhas. E é sobre isso que fala "Sex Education", um dos mais novos sucessos de público e critica da Netflix.

A série segue Otis (Asa Butterfield, "O Menino do Pijama Listrado"), um adolescente filho de sexólogos que tem dificuldades com intimidade, seu melhor amigo Eric (Ncuti Gatwa) o gay assumido não popular do colégio e Maeve (Emma Mackey), a garota problemática, que esconde seu brilhante cérebro atrás de uma personalidade forte. Juntos, Maeve e Otis abrem uma clínica clandestina de aconselhamentos sexuais no colégio, onde conhecemos personagens com histórias um tanto quanto hilárias e como também muito tocantes.



Criada por Laurie Nunn e tendo um time de roteiristas praticamente inteiro feminino, o universo da primeira temporada trata de assuntos como fetiche, traumas, aborto, inseguranças, autoconhecimento, entre tantos outros de uma maneira tão natural que é impossível não se identificar com pelo menos um dos personagens. "Sex Education" pode ser destinada a um público jovem a partir de 16 anos e pode (e diria que deve) alcançar até aos mais velho, incluindo idosos, e ainda assim agradar a todas as faixas etárias, justamente pela sensibilidade na narrativa.

Já confirmado para uma segunda temporada, o seriado britânico virou febre em todas as redes sociais e conquistou um público extremamente fiel muito rapidamente. Seja pelas cenas hilárias como a da assembleia "it’s my vagina", ou por momentos constrangedoras como as de Otis em seu quarto, ou então por um excelente desenvolvimento de personagens e seus laços afetivos como as cenas entre Eric e seu pai, Mr. Effoing (Deobia Oparei). Este que construido de forma primorosa é o reflexo de um pai que sabe sobre a sexualidade do filho, aceita essa questão, mas que parece não o apoiar, não por preconceitos particulares, mas sim por medo dos preconceitos externos de uma sociedade homofóbica, Mr. Effoing é um pai que teme pela violência que o filho pode sofre da porta pra fora de casa. É a construção de muitos pais que amam, aceitam e apoiam seus filhos, mas temem o mal que eles podem sofrer na rua, na escola, no trabalho, no mundo externo. Onde cabem aos filhos a tarefa de mostrar que são fortes o suficiente para encarar o mundo e que seus pais podem ser essa força que os faz crescer.



Ainda sobre personagens, é interessante acompanhar também a desenvoltura de Gillian Anderson, conhecida por sua personagem na série "Arquivo X", aqui a atriz encarna Jean, a mãe de Otis, uma sexóloga descolada e que aparentemente está de bem com a vida e com sua sexualidade, até que um encanador muda sua rotina.

E o mesmo se aplica a Maeve, uma personagem que durante toda a temporada só cresce, e esse crescimento nos faz refletir sobre muitas questões que podem acontecer comigo, com você, com qualquer pessoa ao nosso redor, é uma personagem rica e desenvolvida no seu tempo certo.

Talvez o único personagem não tão bem explorado, ou pouco menos explorado seja Adam Groff (Connor Swindells), no desenvolver da trama é possível reconhecer os motivos que o levam ser um jovem rebelde, um aluno nada aplicado, o valentão do colégio, em parte culpa do pai, um homem rigido e além de tudo diretor do colégio onda a trama se desenrola na maior parte do tempo, entre outras questões que não cabem dizer aqui para não soltar muitos spoilers. Porém, a expectativa é que este personagem seja a maior desenvoltura da segunda temporada ainda sem data de estreia.

Em resumo, "Sex Education" fala sobre um dos maiores tabus universais, o sexo, como tudo, menos um tabu. É uma série necessária que não deixa um gostinho de “quero mais”, ela deixa um sentimento de “preciso mais”.



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