O labirinto psicológico de "Por trás dos seus olhos" Por Vanessa França
Uma série que deixa saudades até hoje do seu jeito leve de lidar com assuntos difíceis Por Lulu Ribeiro
Com a série chegando ao fim, podemos ver que a sala dos roteiristas é escura e cheia de horrores Por Pedro Soler e Lulu Ribeiro
Novo romance "O Sol Também É Uma Estrela" também aborda problemas atuais Por Estefania Goto
Realidade e fantasia se colidem para contar a história de um dos mais celebrados autores de todos os tempos Por Lulu Ribeiro

Resenha: Sex Education


Uma série onde o sexo é tudo, menos um tabu
Por Lulu Ribeiro

Sexo. Uma palavra tão pequena e com tantas facetas, praticamente um universo novo dentro de quatro letrinhas. E é sobre isso que fala "Sex Education", um dos mais novos sucessos de público e critica da Netflix.

A série segue Otis (Asa Butterfield, "O Menino do Pijama Listrado"), um adolescente filho de sexólogos que tem dificuldades com intimidade, seu melhor amigo Eric (Ncuti Gatwa) o gay assumido não popular do colégio e Maeve (Emma Mackey), a garota problemática, que esconde seu brilhante cérebro atrás de uma personalidade forte. Juntos, Maeve e Otis abrem uma clínica clandestina de aconselhamentos sexuais no colégio, onde conhecemos personagens com histórias um tanto quanto hilárias e como também muito tocantes.



Criada por Laurie Nunn e tendo um time de roteiristas praticamente inteiro feminino, o universo da primeira temporada trata de assuntos como fetiche, traumas, aborto, inseguranças, autoconhecimento, entre tantos outros de uma maneira tão natural que é impossível não se identificar com pelo menos um dos personagens. "Sex Education" pode ser destinada a um público jovem a partir de 16 anos e pode (e diria que deve) alcançar até aos mais velho, incluindo idosos, e ainda assim agradar a todas as faixas etárias, justamente pela sensibilidade na narrativa.

Já confirmado para uma segunda temporada, o seriado britânico virou febre em todas as redes sociais e conquistou um público extremamente fiel muito rapidamente. Seja pelas cenas hilárias como a da assembleia "it’s my vagina", ou por momentos constrangedoras como as de Otis em seu quarto, ou então por um excelente desenvolvimento de personagens e seus laços afetivos como as cenas entre Eric e seu pai, Mr. Effoing (Deobia Oparei). Este que construido de forma primorosa é o reflexo de um pai que sabe sobre a sexualidade do filho, aceita essa questão, mas que parece não o apoiar, não por preconceitos particulares, mas sim por medo dos preconceitos externos de uma sociedade homofóbica, Mr. Effoing é um pai que teme pela violência que o filho pode sofre da porta pra fora de casa. É a construção de muitos pais que amam, aceitam e apoiam seus filhos, mas temem o mal que eles podem sofrer na rua, na escola, no trabalho, no mundo externo. Onde cabem aos filhos a tarefa de mostrar que são fortes o suficiente para encarar o mundo e que seus pais podem ser essa força que os faz crescer.



Ainda sobre personagens, é interessante acompanhar também a desenvoltura de Gillian Anderson, conhecida por sua personagem na série "Arquivo X", aqui a atriz encarna Jean, a mãe de Otis, uma sexóloga descolada e que aparentemente está de bem com a vida e com sua sexualidade, até que um encanador muda sua rotina.

E o mesmo se aplica a Maeve, uma personagem que durante toda a temporada só cresce, e esse crescimento nos faz refletir sobre muitas questões que podem acontecer comigo, com você, com qualquer pessoa ao nosso redor, é uma personagem rica e desenvolvida no seu tempo certo.

Talvez o único personagem não tão bem explorado, ou pouco menos explorado seja Adam Groff (Connor Swindells), no desenvolver da trama é possível reconhecer os motivos que o levam ser um jovem rebelde, um aluno nada aplicado, o valentão do colégio, em parte culpa do pai, um homem rigido e além de tudo diretor do colégio onda a trama se desenrola na maior parte do tempo, entre outras questões que não cabem dizer aqui para não soltar muitos spoilers. Porém, a expectativa é que este personagem seja a maior desenvoltura da segunda temporada ainda sem data de estreia.

Em resumo, "Sex Education" fala sobre um dos maiores tabus universais, o sexo, como tudo, menos um tabu. É uma série necessária que não deixa um gostinho de “quero mais”, ela deixa um sentimento de “preciso mais”.



Comentários