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Resenha: Shazam!


DC entrega mais um filme sem identidade (ou, quero ser a Marvel, mas deu ruim)
Por Paulo Costa

Que sempre existiu uma grande comparação entre DC e Marvel, seja nas HQs, séries e principalmente no universo cinematográfico, não podemos esconder. Mas que chegaríamos a um ponto onde uma começaria a copiar descaradamente a outra, aí já é outra história.

Infelizmente, a grande aposta "Shazam!", que chega aos cinemas nesta quinta-feira, 4 de abril, é a nítida prova de que o universo cinematográfico da DC chegou ao ápice da sua crise de identidade. Estão agora a copiar sua grande rival, a Marvel Studios, mas não a Marvel de hoje, mas sim aquela que testava sua estrutura e entregava filmes medianos para ruins, no pior estilo "Thor" ou até mesmo "O Incrível Hulk". Já podíamos perceber desde a estreia de "Aquaman", longa que apresenta em seu roteiro uma Marvel em começo de carreira, ou seja, piadas horríveis e extremamente desnecessárias, personagens sem carisma, e com direito a elenco sem química em cena. Enquanto a Marvel soube evoluir dentro da estrutura que criou e no decorrer dos anos entregar obras com qualidade muito superior, a DC se perdeu mais ainda entregando filmes desconexos em seu Universo Estendido, com roteiros falhos, que se contradizem de uma obra a outra e se perdendo principalmente na linha cronológica. Tal fato está nítido entre "Liga da Justiça" e "Aquaman".

E é em "Shazam!", que o DCUE se compromete e se complica ainda mais na tentativa de se tornar o filme família. O longa peca demais e, como filme de origem, é uma grande catástrofe. A começar pela falta de explicação das origens dos poderes do personagem que, para quem não sabe, Shazam - no longa este personagem não possui seu nome original, Capitão Marvel, por motivos óbvios - herda de um Mago (Djimon Hounsou, em uma caracterização que está mais para mendigo do que mago). Esses dons são extraídos a partir de conhecidas figuras mitológicas, sendo a sabedoria de Salomão, a força de Hércules, o vigor de Atlas, de Zeus ele adquire poderes mágicos - incluindo controlar e descarregar raios elétricos -, a coragem vem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio,  e em momento algum isso é explorado ou mencionado no filme, um dos personagens das HQs com os poderes mais originais entre as histórias de super-heróis simplesmente não foi trabalhada ou se quer mencionada. O mesmo ocorre com a falta de explicação e da possibilidade do herói em compartilhar seus poderes.

O roteiro peca também em querer ser uma versão light de "Deadpool" misturada com apelos familiares de "Homem-Formiga", ou seja, piadas horríveis com sentimentalismo barato. Não posso negar que a questão familiar do garoto Billy é muito importante, por se tratar do abandono da mãe e a vida em centros de acolhimento, mas em pouquíssimos momentos isso se torna interessante. No mais é mais uma chance de uma excelente história desperdiçada.

Nem a trama sobre os órfãos salva o roteiro do filme (Divulgação / Warner Bros. Pictures)

Zachary Levi entrega um personagem carismático, porém, um que qualquer ator com carisma poderia ter feito e isso não lhe rende nenhum mérito. Dentre todos os personagens apresentados, o único que me cativou foi a pequena Darla, vivida pela pequena atriz Faithe Herman (do seriado "This Is Us"), uma das crianças adotadas pelo casal Vasquez. Somente ela me arrancou um ou dois sorrisos durante os 132 minutos sofríveis de projeção.

Se o longa queria homenagear clássicos dos anos 1980 e 1990, como "Quero Ser Grande" ou até mesmo "Curtindo a Vida Adoidado", sinto informar que "Homem-Aranha: De Volta ao Lar" já fez isso com maestria, e a direção de David F. Sandberg, conhecido por filmes de terror como "Quando as Luzes se Apagam" (2016) e "Annabelle 2: A Criação do Mal" (2017) mostra que se aventurar em novas áreas não foi uma escolha muito assertiva. Aqui ele nada mais fez do que copiar estes e outros clássicos já citados, o que me leva a dizer que ele pode voltar pro terror, ali sim ele sabe o que faz.

Mas o filme tem um ou outro ponto bom, a começar pelo vilão Dr. Thadeus Sivana, onde quem realmente merece os créditos é Mark Strong. Ele sim entrega um personagem completo e até mesmo interessante, gostaria de ter visto mais deste personagem, onde até a sua origem e motivações para se tornar o vilão é bem construida e plausível.


Mark Strong entrega um das poucas coisas boa do longa (Divulgação/Warner Bros. Pictures)

Os efeitos também merecem créditos, exceto um problema ou outro em cenas muito esparsas, se mostra muito superior a produções anteriores. Os demônios de pedra quando ganham vida e explodem na tela, é um prato cheio para quem aprecia bons efeitos. Tal elogio se deve talvez pela chegada da New Line Cinema como uma das produtoras.

A trilha sonora também é boa, mas, por favor, já deu, parem de saturar "Don't Stop Me Now" do Queen. Por mais que ame a banda e a música, depois de "Bohemian Rhapsody" parece que todas as produções querem utilizar uma canção ou outra e, por azar, a música citada já foi utilizada e muito bem em até uma cena de "The Umbrella Academy".

Pra finalizar, retorno ao inicio do texto, pois a cena final do longa, que não convém spoilers, deixa todo o futuro da DC nos cinemas ainda mais confuso. Se minha opinião de algo vale, contrate os roteiristas da produções animadas, escale um excelente diretor nesse segmento, troque todo o elenco e comece o Universo Estendido de novo, pois do jeito que tá, isso vai de mau a pior, e os primeiros a exigirem mudanças e que o estúdio entregue algo de qualidade são os fãs, que ultimamente parecem tão descrentes que engolem qualquer porcaria e acha que está bom, mas não está.

"Shazam!" está mais para uma paródia desleixada e antiquada do que para um filme de super-heróis!

Avaliação: 2/5






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