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Uma série que deixa saudades até hoje do seu jeito leve de lidar com assuntos difíceis
Por Lulu Ribeiro

"Glee", série original de Ryan Murphy ("American Horror Story", "Pose") teve seis temporadas, 121 episódios e 742 números musicais. Estes incluíam clássicos da Broadway e do rock, músicas populares e até algumas originais como Get It Right e Loser Like Me, que se misturavam entre as lições do Mr. Schue (Matthew Morrison) e o dia a dia dos personagens.


Acompanhamos jornadas como a de Kurt (Chris Colfer), Blaine (Darren Criss) e Santana (Naya Rivera) lidando com os aspectos sociais e culturais de suas sexualidades. Rachel (Lea Michele), Puck (Mark Salling), Finn (Cory Monteith) e Quinn (Diana Agron) lidando com o sucesso, o fracasso e as dúvidas sobre o que vinha pela frente. Até mesmo os personagens adultos da série tinham suas questões, como a treinadora Sue Sylvester (Jane Lynch) que tinha uma irmã com síndrome de Down que protegia e amava com todas as suas forças, Emma (Jayma Mays) que tinha T.O.C. e a Treinadora Beiste (Dot-Marie Jones) que teve inclusive um arco sobre violência doméstica.


Apesar de seus altos e baixos na trama, principalmente após a terceira temporada, "Glee" sempre teve uma fanbase extremamente fiel. Eu mesma, no auge da minha adolescência, assistia todos os episódios da série religiosamente na FOX, escutava as músicas, ria junto e chorava junto. Sem nunca ter tido medo de falar de estereótipos, "Glee" falou sobre distúrbios alimentares, bullying, fé, gravidez na adolescência, inseguranças, amor e sonhos como nenhuma outra série conseguiu, sempre tendo momentos emocionantes e engraçados mesclados com um drama feito para adolescentes e adultos.

A morte de Cory Monteith, que para muitos significou o fim da série, uniu o fandom e o elenco da série ainda mais, trazendo um episódio (5x03, The Quarterback) em sua homenagem que nenhum fã conseguiu, ou consegue até hoje, assistir sem chorar.

"Glee" foi muito mais do que uma série, ela foi uma carta para adolescentes do mundo inteiro que dizia "sim, você é diferente dos outros, e está tudo bem". É a responsável por, nos últimos 10 anos, uma nova geração repetir as palavras ditas pelo Journey nos anos 1980 e a nunca deixar de acreditar.



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