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Resenha: Parasita, por Eduardo Benesi


O que vem de baixo nos atinge, finalmente nos atinge
Por Eduardo Benesi

Há um filme que nesse momento, para quem já viu, atinge o arranha-céu dos melhores cometimentos artísticos deste ano de dois miil & acaba logo. Um luxuoso Megazord sul-coreano virá no pisão para fechar esses gloriosos anos 10 e acho que exagerei pouco. "A Vida Invisível" tem um problemão no próximo Oscar.

"Parasita" (Parasite) é uma febre climática que vai ficando gradualmente drogada de si, você não sabe qual é a droga mas sabe que é droga boa. Eu nunca vi nada igual. É um filme que se assume entre suas aspas, é uma onda borderline made in MST, um barato que é caro, uma ousadia que virou uma Palma D'Ouro no Festival de Cannes deste ano - aquela que você diz que foi justa sem nem ter visto 98% de todo o resto. Beira a uma obra-prima raçuda porque bota quase tudo a perder e então nos ganha, de tão atrevida que é.

Me parece a exaustão das mentiras contemporâneas em um faroeste de apartamento. Trapaceia em camadas sobrepostas, trapaceia inclusive conosco. Quanto você menos espera ele pode te empurrar na piscina de roupa e tudo. Talvez um "Bacurau" ninja, mais intimista, doméstico e de olhos-puxados. Ou, quem sabe um "Assunto de Família" mirando "Relatos Selvagens" e caindo em um debochado acerto de classes na era millennial. Em uma hipótese conspiratória eu diria que é um longa secretamente rodado pelo Lanthimos - o diretor grego seria um ghost writer de Bong Joon-ho mas nunca saberíamos a verdade da pegadinha, apenas um curta-metragem sugestivo jogado ao ar e um violino como sinapse conectiva, um violino que é quase um deja-vu onírico.

Estamos diante de um fluxo anfíbio, um cinema capaz de trocar de gênero abruptamente, adotando um arquétipo novelesco e ao mesmo tempo um desenvolvimento virilmente cinematográfico. É uma narrativa que nos seduz ora ironizando a superficialidade da alta-cultura ora usando da mais fina auto-ironia. Usa também de seus metros quadrados e iluminados para impor uma arquitetura fincada em postos de coerência mesmo quando beira ao absurdo. Sabe-se intelectual mas não se importa em se portar vulgarmente, criar um colapso social, falar de todos os jeitos, fotografar todos os cantos e inventar seu próprio conceito de virtualidade. E faz isso mentindo na nossa frente, nos avisando que as mentiras do mundo em encontro com as nossa falta de desconfiança podem render uma parasitose conotativa.

Enfim chegará a nós um produto precioso que consegue a proeza de se manifestar em andares literais e sociais que forjam metáforas e então o que vem de baixo nos atinge, finalmente nos atinge. Não só isso tudo como ainda nos oferece o pirulito plot-twist e de repente estamos em um filme capaz de ser tudo, inclusive ele mesmo.

"Parasita" estará na programação da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. e tem estreia prevista para 7 de novembro.


Sinopse: Toda a família de Ki-taek está desempregada, vivendo num porão sujo e apertado. Uma obra do acaso faz com que o filho adolescente da família comece a dar aulas de inglês à garota de uma família rica. Fascinados com a vida luxuosa destas pessoas, pai, mãe, filho e filha bolam um plano para se infiltrarem também na família burguesa, um a um. No entanto, os segredos e mentiras necessários à ascensão social custarão caro a todos.

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