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Resenha | Retrato de uma Jovem em Chamas, por Jean Gameiro

Sororidade, aborto e feminismo no século XVII
Por Jean Gameiro

Quem estiver em São Paulo e for prestigiar o Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade, terá a oportunidade de assistir ao longa francês "Retrato de uma Jovem em Chamas" (Portrait de la jeune fille en feu), escolha para a abertura da 27ª edição do festival que trás mais de 100 filmes - entre logas e curtas - de vários países.

O filme já vem encantando o públicos pelos festivais por onde passou, inclusive garantindo o prêmio Queer Palm e Melhor Roteiro do Festival de Cannes (Un Certain Regard) de 2019. Dirigido pela cineasta Céline Sciamma, que já foi responsável pela direção do prestigiado "Tomboy" (2011), segue com um trabalho de muita sensibilidade ao retratar personagens fortes em um roteiro bem original.

Ambientado na costa da França de 1770, vemos a chegada da pintora Marianne (Noémie Merlant)  a casa de uma condessa (Valeria Golino) que solicita seus serviços de para pintar o retrato sua filha com uma inusitada condição: que a mesma não saiba que está sendo retratada num quadro. Sendo assim, Marianne terá que agir como sua dama de companhia para que durante o dia ela registre em sua memória o rosto de Héloïse (Adèle Haenel) e, em segredo, a pinte durante a noite.


Como espectadores nos vemos junto com a pintora a identificar cada traço da bela jovem que se recusa a posar para o quadro, pois, ao fazer isto a mesma está formalizando uma promessa de casamento arranjado por sua mãe. Seus motivos são revelados enquanto acompanhamos na tela o olhar de Marianne e ansiamos por descobrir mais sobre o comportamento de Héloïse e nos deleitamos com as descobertas de cada expressão e motivação por trás delas.

Com uma mistura de artes plásticas, literatura, arquitetura clássica e belas paisagens em cuidadoso enquadramento de câmera, além de excelentes interpretações, o filme nos entrega questões que parecem tão atuais sendo organicamente aplicados na trama como o forte significado de sororidade, aborto e feminismo - destaque para uma lindíssima cena que acontece ao redor de uma fogueira - a modo de nos questionar como parecem tão difíceis serem discutidos hoje em dia e num cenário do século XVII ser de uma naturalidade de causar furor na cabeça de quem assiste. 

Com estreia programada para janeiro de 2020, "Retrato de uma Jovem em Chamas" terá uma exibição no sábado, 16/11. O Festival Mix Brasil acontece até o dia 20 de novembro, confira a programação completa no site oficial do festival.