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Music | Semana do Rock - #5. "Nasce Uma Estrela", por Fran Sanna



Com atuações viscerais de Gaga e Cooper, filme supera todas as expectativas


Por Fran Sanna | Revisão: Paulo Costa



Lançado em 2018, o drama musical "Nasce uma Estrela" (A Star Is Born), quarta versão da história no cinema, dessa vez é modernizada nas mãos de Bradley Copper  que além de interpretar o personagem principal também produziu, dirigiu e compôs a trilha sonora original.

O filme possui os mesmos moldes do último remake de 1976 estrelado por Barbra Streisand. Contando a história de Jackson Maine - interpretado por Cooper - um rockstar renomado, ovacionado por onde passa, porém escravo do alcoolismo e das drogas. Numa dessas noites pós-show regada a muito álcool ele vai parar num clube de Drag Queens e lá se encanta e se apaixona perdidamente pela voz e pela beleza de Ally - interpretada pela diva pop Lady Gaga - uma jovem garçonete que sempre quis cantar profissionalmente, mas nunca tentou de fato por não acreditar que é capaz e até mesmo por questões de auto estima.  Sabendo disso, nosso rockstar não mede esforços para ajuda-la a se tornar uma grande estrela, que é o que acaba acontecendo. Mas enquanto Ally brilha pelo país, com shows, fotos, figurinos, fãs enlouquecidos, a carreira de Jackson  e o relacionamento dos dois vai definhando de forma trágica e cruel.



Vale destacar as atuações viscerais de Bradley Cooper e Lady Gaga que possuem uma química absurda em cena, capaz de te prender do início ao fim.

Gaga, além de sua beleza, exala seu multitalento descomunal, jamais imaginaria uma entrega tão grande de nenhuma atriz. Nos acostumamos a vê-la toda montada em seus shows ou em programas de TV que quando a vemos na tela grande nos deparamos com ela "normal" e radiante. É o seu primeiro papel como protagonista em um longa metragem, após protagonizar a série de TV "American Horror Story", e deu conta do recado mostrando a que veio, com uma personagem bem humanizada, uma personagem real.
  Não imagino outra pessoa dando vida a Ally, até arrisco dizer que ela mereceu sim todas as indicações aos principais prêmios de cinema em que concorreu e venceu.

Sobre Bradley Cooper, pode-se dizer que é também o melhor papel em toda sua carreira. Ele se entrega totalmente ao personagem além de cantar todas as músicas, e compor parte delas, o que me deixou surpresa. 
Enquanto a projeção rolava, e o filmes transcorria ao longo de seus 140 minutos, eu o assistia inebriada com a aparência e voz de Bradley que eram parecidíssimos com o Eddie Vedder e a sonoridade de seus solos no estilo de Eric Clapton e Stevie Van Vaughn . Por diversas vezes acreditava que ele era realmente um grande astro do rock/blues na vida real. Sua cenas de embriaguez com a voz mansa, dando vexame, me deixava agoniada, pois é de se acreditar que realmente ele estava totalmente bêbado em cena.



"Nasce Uma Estrela" é também a estreia de Cooper como diretor e co-roteirista e fez um trabalho exímio que, diferente das outras versões conseguiu modernizar e deixar a história mais atual, fazendo uma dura crítica à homogeneização da indústria musical que é o que a gente vê todos os dias. Quantas vezes a gente já ouviu um cantor, uma banda, um grupo musical com um talento incrível, mas infelizmente acaba sendo moldado pela gravadora ou empresários e acaba virando mais do mesmo?

Abordando com uma crítica crua sobre a questão: s
er famoso é bom, mas será que deixar suas origens e a sua essência pra trás valem a pena?

Esse momento do filme é mostrado com maestria, com um jogo de iluminação e enquadramento da câmera
 que é como se você estivesse ali, nos bastidores, acompanhando a ascensão e a queda de uma estrela de perto. Cooper reescrevendo o roteiro conseguiu também criar mais corpo a história e aos personagens e principalmente ao romance de Jackson e Ally embalado pela trilha sonora INCRÍVEL totalmente inédita, o que rendeu uma enxurrada de prêmios de canção original para "Shallow".

Preparem os lencinhos pois "Nasce Uma Estrela", disponível na HBO Go, é emoção à flor da pele.