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Simples e amargo, mas de uma beleza e uma sutileza extrema

Por Rodrigo Fidalgo | Revisão: Paulo Costa


Raramente temos a oportunidade de assistir a filmes dos nossos vizinhos uruguaios. Até porque o cinema no Uruguai era praticamente inexistente até a década de 80. Porém, assim como no Brasil e na Argentina, houve uma guinada a partir da década de 90 e começaram a surgir poucas (e boas) produções. 

Sendo assim, quando temos essas oportunidades, não podemos deixá-las passar! Senão, corremos o risco de perder pequenas pérolas como este "Whisky"

Realizado em 2004, dois anos antes da morte do seu diretor Juan Pablo Rebella, este longa-metragem independente foi vencedor do prêmio Um Certo Olhar do Festival de Cannes, vencedor do prêmio do público e do júri no Festival de Gramado, além de ter concorrido ao prêmio principal na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

Aqui conhecemos Jacobo, um dono de um fábrica em Montevidéu que mora sozinho desde que sua mãe morreu. Introspectivo e amargurado, ele tem um relacionamento complicado com seu irmão Herman, que, depois de se mudar para Porto Alegre e se tornar bem-sucedido, tem uma espécie de rivalidade. E quando fica sabendo que ele está em Montevidéu para visitar o túmulo da mãe, pede para a sua funcionária Marta se passe por sua esposa durante o período em que Herman estará na cidade. 



Mesmo sendo um filme de ritmo lento e totalmente minimalista, em nenhum momento se torna tedioso ao longo de seus 100 minutos de duração. Com seu final inesperado, é simples e amargo em muitos momentos, mas de uma beleza e uma sutileza extrema! 

"Whisky" é o primeiro filme da uruguaia Mirella Pascual, que interpreta Marta, e depois atuou em "O Silêncio do Céu" (2016), uma coprodução Brasil e Chile, estrelado por Carolina Dieckmann e pelo argentino Leonardo Sbaraglia ("Relatos Selvagens" e "No Fim do Túnel"), e tem direção do brasileiro Marco Dutra ("Quando Eu Era Vivo" e "As Boas Maneiras").

O cineasta Rebella, junto com o seu colega Pablo Stoll, que compartilha a direção e assina o roteiro deste, também realizaram juntos "25 Watts" em 2002. Contudo, em 2006, pouco tempo após o lançamento de "Whisky", segundo trabalho da dupla, Rebella suicidou-se em sua residência, sem motivos aparentes.

Infelizmente, o ator espanhol Andrés Pazos (que interpretou Jacobo) faleceu em 2010. O que acentua a melancolia do filme, mas que de jeito nenhum deve deixar de ser visto.

Indicado pelo Uruguai a uma vaga no Oscar de Melhor Filme Internacional, não ficou entre os 5 finalistas de 2005. Que azar da Academia! 

E, a propósito, não há uma gota de álcool durante o filme todo...
Descubra o motivo!

"Whisky" está disponível no catalogo da Netflix.