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Cinema | "Nomadland", Resenha por Paulo Costa



Uma viagem visceral e reflexiva pelos sentimentos mais profundos que todos nós carregamos em nossa jornada

Por Paulo Costa


Poético e melancólico, acho que são essas as palavras que definem melhor "Nomadland", um filme belo e ao mesmo tempo carregado de tristeza, em todos os sentidos. Mesmo com uma narrativa bem lenta, muitas panorâmicas de paisagens abertas, estradas, rochedos, desertos... tudo é muito bem inserido e transmite exatamente os sentimentos vividos pela personagem Fern.

Com diálogos aparentemente simplórios, o roteiro carrega nas entrelinhas um trama densa sobre perdas, sofrimentos, solidão e despedidas. Por mais que os personagens pareçam meros coadjuvantes que entram e saem da vida de Fern, na verdade eles são mais do que isso, são partes da história da protagonista, são fragmentos que orbitam ao redor desta mulher que carrega tristeza em seu olhar, mas ainda possui um coração grandioso e generoso, e tudo isso é representado meticulosamente em cada detalhe, cada gesto, cada olhar, cada esboço de sorriso.

Frances McDormand, que levou o Oscar em 2018 em "Três Anúncios Para Um Crime", mais uma vez entrega uma atuação arrebatadora, capaz de nos levar em uma grandiosa viagem, seja pelas estradas da América, pelas estradas da vida, pelos sentimentos mais profundos que ela e todos nós carregamos em nossa jornada.




Baseado no livro homônimo escrito por Jessica Bruder, o ponto de partida desta história, é livremente inspirado em fatos. Após o colapso econômico de uma cidade na zona rural de Nevada, nos Estados Unidos, uma mulher de 60 anos, entra em sua van e parte para a estrada, vivendo uma vida fora da sociedade convencional como uma nômade.

A cineastas Chloé Zhao narra através de suas meticulosas cenas, carregada de cores frias, uma obra que em muitos momentos me lembrou demais outro cineasta: Terrence Malick, que usa e abusa de longos planos, cheios de detalhes, para transpor em imagens uma história sútil mas ao mesmo tempo visceral e repleta de emoções, que cabe ao espectador se abrir (ou não) a elas.

Eu ainda não parei de pensar nesta obra que me tocou profundamente do primeiro ao último segundo, são quase 110 minutos de estradas, subidas e descidas, que me deixaram com o coração apertado, olhos marejados e um nó na garganta. Contudo, não é um filme fácil, e também não agradará a todos os públicos.



Confesso que fiquei bem dividido, pois o filme concorrer nas mesmas categorias que "Bela Vingança" no Globo de Ouro: Melhor Filme Drama, Atriz em Filme Drama (Frances McDormand), Direção (Chloé Zhao) e Roteiro Filme.

Vale ressaltar, que o longa já se tornou um dos mais fortes concorrentes ao Oscar deste ano, e Zhao conseguiu um recorde e se tornou a realizadora mais premiada em uma única temporada de premiações, sendo 34 prêmios por direção, 13 por roteiro e 9 por edição, o que inclui entre os principais, o Leão de Ouro no Festival de Veneza.

Recém lançado nos cinemas americanos, "Nomadland" que conta com a distribuição da Searchlight Pictures, que pertence ao conglomerado da Disney, o longa deve chegar ao circuito nacional em abril.