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Cinema | "Godzilla Vs. Kong", Resenha por Paulo Costa



 Com visual impressionante e uma trama com críticas ambientais interessantes, filme é uma grata surpresa 

Por Paulo Costa


"Godzilla Vs. Kong", é o quarto filme do MonsterVerse que começou em 2014 com "Godzilla", seguido por "Kong: A Ilha da Caveira" (2017) e "Godzilla II: Rei dos Monstros" (2019). O ideal é ver ou rever todos os filmes exatamente como foram lançados, já que o roteiro segue bem amarrado e, por mais que sejam personagens conhecidos do grande público, esta nova franquia traz uma diferente apresentação e até mesmo uma abordagem mais complexa e um desenvolvimento maior de cada monstro, culminando nesta nova produção que, com um clímax mais intenso, proporciona muita diversão.

No longa, as duas poderosas forças da natureza vão se enfrentar em uma épica batalha. Enquanto a organização científica secreta Monarch caça, investiga e estuda a origem dos Titãs, uma conspiração tem a intenção de acabar com todas as criaturas, sejam elas ameaçadoras ou não. Sendo este o ponto de partida, posso dizer que o roteiro, mesmo com algumas falhas, consegue abordar muito bem temas atuais de suma importância, entre eles os problemas socioambientais, onde mais uma vez a ganancia humana não tem limites e, assim como na vida real, é capaz de destruir todo um ecossistema em beneficio próprio, esquecendo que tal feito pode e deve gerar consequências graves a todo tipo de vida existente no planeta. Resultado, o ser humano consegue mais uma vez ser o grande "vilão", pois de certo modo, é o responsável em por duas criaturas gigantes brigando entre si.

Com direção de Adam Wingard, que traz em sua filmografia muitas produções de terror como "V/H/S" (2012), "O ABC da Morte" (2012) e "Bruxa de Blair" (2016), parece se arriscar no campo da ação, e ainda assim ser capaz de introduzir, poucos, mas alguns elementos de suspense e mistério, entregando algo satisfatório. 

Mesmo com elenco de peso, quem rouba a cena é a estreante Kaylee Hottle | Divulgação


O elenco inclui nomes conhecidos como Alexander Skarsgard (o eterno vampirão Eric da série "True Blood") e Rebecca Hall ("Homem de Ferro 3") a frente da maior parte da trama, apresentam uma química simpática, mas não totalmente convincente, e são ofuscados o tempo todo por Jia, personagem de estreia da jovem Kaylee Hottle e, assim como na vida real, ela interpreta uma garota surda-muda que cria um elo grande com Kong, capaz de se comunicar com ele através da linguagem de sinais, sem duvida é uma personagem carismática e muito complexa, mesmo sem dizer uma só palavra, a atriz consegue ser muito expressiva e transmite muito bem seus sentimentos em cena.

Infelizmente, como nem tudo são flores, o retorno de Millie Bobby Brown ("Stranger Things" e "Enola Holmes") deixa muito a desejar, ainda mais se tratando de uma personagem importante de "Godzilla II", aqui a sua personagem não se define se é uma garota inteligente e carismática ou uma histérica e intrometida, o mesmo se aplica ao personagem de Brian Tyree Henry ("Atlanta"), mesmo sendo o alivio cômico, tem horas que o enredo perde a compostura e entrega mais um personagem bobo, do que de fato um curioso atrás de provar suas teorias conspiratórias. Contudo Kyle Chandler e Eiza Gonzales entregam os piores personagens da trama, que se fossem cortados na edição final não fariam a menor diferença, ele reprisando seu papel de "Godzilla II" Mark Russell, e ela da vida a Maya Simmons, uma personagem de total relevância mas com um arco desperdiçado, que tem grande importância e relação com o "vilão humano" Walter Simmons, interpretado pelo ator Demian Bichir, que também entrega uma atuação medíocre, caricata e muito mal aproveitada.

Efeitos impressionantes para serem vistos na tela grande | Divulgação


Porém, com um visual arrebatador e impressionantes cenas na água, na terra ou até mesmo no centro do planeta (mesmo se tratando de uma ficção, vale a pena prestar atenção na teoria da Terra Oca), com tudo meticulosamente criado, reproduzido e construído, é quase que unanime deixarmos de lado essas falhas e personagens esquecíveis e se concentrar naquilo que, de fato, a obra se propõe. Dos efeitos especiais que dão vida ao gigantesco Kong, com movimentos surpreendentes e uma pelagem que te convence de tão real, com um "lagarto" gigante que reproduz com exatidão a textura da pele de um réptil milenar, até as cenas de pancadaria, incluindo uma sequência noturna em Hong Kong, com direito a muito neon, tudo é convincente, a primorosa fotografia que trabalha com o contrates de cores como azul com vermelho e amarelo com azul, deixa tudo ainda mais atrativo.  Tais elementos misturados a uma trilha sonora de ponta, e uma edição efervescente que só cresce a cada novo momento de ação e muita porrada, sem que nos damos conta, já estamos no meio de uma experiência visual e sonora absurda e completamente imersiva, que explode aos olhos e nos deixa de boca aberta com tamanha grandiosidade.

"Godzilla Vs. Kong" chegou aos cinemas nacionais na última quinta-feira, 29/04, aproveitando a reabertura das salas de cinema. Mesmo sendo um período complicado por conta da pandemia, este é aquele tipo de filme totalmente idealizado para se ver na tela grande e, por mais que você tenha um super sistema de som e imagem em casa, nada substituirá a experiência imersiva vista na telona. Vale ressaltar que foi assistido no formato IMAX, a convite da Warner Bros., seguindo rigorosamente todos os protocolos de segurança e com capacidade de pessoas na sala extremamente reduzida.