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Cinema | "Espiral - O Legado de Jogos Mortais", Resenha por Jurandir Vicari





Longa se apoia apenas nos elementos brutais já vistos anteriormente e se esquece de inovar e contar uma boa história

Por Jurandir Vicari


Com a reabertura dos cinemas, resolvi recuperar o tempo perdido e ver alguns filmes de terror, meu gênero predileto. O escolhido para este retorno foi "Espiral - O Legado de Jogos Mortais", que está em cartaz desde o dia 17 de junho. Nono filme da franquia que nasceu em 2004, com James Wan e Leigh Whannell fazendo filmes de baixo orçamento que explodiram em bilheteria e se transformo em uma grande franquia. A nível de curiosidade, o primeiro longa foi filmado em apenas 18 dias e com um orçamento de US$ 1,2 milhão, arrecadando mundialmente US$ 103,9 milhões.

Apesar de acreditar que oito filmes já seriam o suficiente, a gente sabe que Hollywood "não larga o osso" e enquanto estiver sendo lucrativo tentarão manter a saga "Jogos Mortais" viva, mas acho que ela já morreu faz tempo e precisa ser enterrada, porque tá fedendo! A ideia de "Espiral - O Legado de Jogos Mortais" chega a ser interessante ao tentar sair do gênero terror e se transformar em um suspense policial dando uma arejada nas ideias, mas esse fôlego não foi suficiente.

O enredo nos mostra o dia-a-dia do policial Zeke, interpretado por Chris Rock, ator bem conhecido do grande público por papeis cômicos e por criar o sucesso televisivo "Todo Mundo Odeia o Chris", que tem que aturar um parceiro novato Willem, interpretado por Max Minghella, que conhecemos de "The Handmaide's Tale", para investigar uma série de assinados terríveis que se assemelham aos assassinatos de Jigsaw. Elenco ainda contamos com a atriz de "Riverdale", Marisol Nichols, que aqui da vida a Capitã Angie Garza.



Os roteiristas Josh Stolberg e Pete Goldfinger, responsáveis por "Jogos Mortais: Jigsaw", tentam montar um engenhoso quebra-cabeças sombrio e pesado, ao estilo "Seven" e "O Colecionador de Ossos", mas ao mesmo tempo mantendo elementos que se tornaram a marca da franquia, infelizmente só conseguem violência gratuita, gritos e muito sangue jorrando, abandonando totalmente o clima denso e o mistério para um segundo plano. Desperdiçando a chance de se aprofundar em assuntos importantes como a corrupção dentro da policia, além do próprio sistema de segurança público falido, que parece ser o mote do assassino, mas que vai se diluindo no excesso de sangue, ou até mesmo no racismo estrutural que Zeke ou seu pai poderia ter sofrido, afinal ambos não tinham muito apoio do próprio departamento.

O diretor Darren Lynn Bousman, que trabalhou no roteiro do segundo filme e assumiu a direção do terceiro e quarto, revelou que sua grande influência realmente são filmes de suspenses policias como "Seven - Os Sete Crimes Capitais", sucesso de 1995, porém ele não consegue transpor para as telas essa influência, não atinge o alvo ao tentar se inspirar no sucesso de David Fincher.



Acho que o único acerto do filme foi a escalação de Samuel L. "Motherfucker" Jackson, que consegue manter a nossa atenção na sua interpretação do pai do protagonista, Markus Banks, e até nos desviando das soluções simplistas que a narrativa usa para chegar ao fim do longa.

Eu tinha me empolgado com a este novo capítulo, com as notícias sobre ele e até com o trailer, mas saí decepcionado da sessão, pois não conseguiram renovar e saturaram ainda mais a saga "Jogos Mortais", se apoiando apenas nos elementos mais brutais e cansativos que já vimos anteriormente e esquecendo de contar uma boa história, trafegando entre o suspense investigado e o terror psicológico prometido.