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Cinema | "Dupla Explosiva 2 - E a Primeira-Dama do Crime", por Paulo Costa




A ação pode até funcionar, mas como comédia é um grandioso desastre seguido de péssimas e desconfortáveis atuações

Por Paulo Costa


Já se tornou mais do que uma regra no universo do entretenimento que, quando uma produção feita para ser única, consegue alcançar grande prestigio tanto com o público como com a crítica especializada, que os estúdios prontamente pense em lançar sequências. isso segue escancarado no mainstream, afinal, o cinema nunca viveu um momento de tantas continuações, reboots, remakes, prequels, live-actions de tudo quanto é tipo de animação, como se a indústria não tivesse mais folego e criatividade para surpreender os espectadores que aguardam por experiências inéditas. Sendo assim, "Dupla Explosiva", divertido e frenético longa de ação e comédia lançado em 2017, protagonizado por Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson, surpreendentemente fez uma boa bilheteria de mais de 176 milhões de dólares ao redor do mundo, tornando-o mais um alvo das famigeradas sequências e, infelizmente, "Dupla Explosiva 2 - E a Primeira-Dama do Crime" (The Hitman's Wife's Bodyguard) entra para o hall das continuações que nunca deveriam ter sido feitas.

No filme que chega aos cinemas em 29 de julho, com sessões de pré-estreia ao longo desta semana, Reynolds volta a interpretar o guarda-costas Michael Bryce, que teve que abandonar sua licença sabática para proteger Darius e Sonia, o casal estranho mais letal do mundo vivido novamente por L. Jackson e Salma Hayk. Enquanto Bryce é levado ao limite por seus dois protegidos, o casal Kincaid se mete em uma trama global, onde são perseguidos por Aristotle Papadopolous, um louco vingativo e poderoso.

Ao contrario do primeiro longa que mesclava ação desenfreada, muito tiro, porrada e bomba com piadas hilárias e garantia ao seu público bons momentos de diversão, aqui temos cenas de ação grandiosas que até funcionam em tela, contudo, o lado cômico se tornou um desagradável pastelão com piadas ruins, de baixo nível, o que inclui um dos momentos que poderia, de repente,  se sobressair como algo bacana, mas que acabou por torna a obra um verdadeiro naufrágio, que o ajuda a afundar de vez por trazer a tona um humor ainda mais pejorativo e envolvendo gordofobia. Como ação ele até funciona bem, mesmo com alguns "defeitos especiais", principalmente em cenas mais abertas que se percebe o contorno do CGI. Mas como comédia é um completo desastre e não temos como fragmentar a obra e salvar o pouco de bom nela contido.

Um time de astros em situações e atuações péssimas e desconfortantes | Divulgação


Em relação ao elenco e atuação, nota-se nitidamente que todos estão ali por dinheiro, afinal, até Morgan Freeman e Antonio Banderas tem contas pra pagar. A química entre Reynolds e L. Jackson, que garantia boas risadas no filme anterior, se perde em cenas sem sentido e a veia cômica de ambos parece desconfortável a cada piada ruim contada, e quem imaginaria que um dia teríamos que dizer algo assim sobre o nosso amado Motherfucker, quem mesmo em filme ruins, como exímio "Serpentes a Bordo" ainda consegui garantir boas risadas? Hayek está histérica, estridente, e absurdamente caricata, sua personagem carrega um estereotipo negativo e sexualizado em relação a pessoas latinas. O mesmo pode-se dizer de Banderas que interpreta o vilão, entregando uma atuação desconfortavelmente ruim, digna de um belo Framboesa de Ouro em 2022. E sobre Mr. Freeman, realmente ele tinha altas dividas para quitar, e assim como ele entra em cena, ele também sai dela, sem mexer um só musculo facial.

O cineasta Patrick Hughes, que também comandou o longa que antecede esta desconfortante sequência além de "Os Mercenários 3", poderia até ter boas intenções, contudo, ele pesa ainda mais a mão e entrega um requentado de tudo de ruim que ele já serviu em seus trabalhos anteriores e, ao invés de aprender e repensar com estes erros, ele volta a comete-los e ao que parece, sem sentimento de culpa algum.

Infelizmente, a única coisa boa em  "Dupla Explosiva 2 - E a Primeira-Dama do Crime", é termos um bom e clássico Tim Maia, com a canção Do Leme ao Pontal, tocando nos créditos finais. No mais, pode embalar tudo e botar no incinerador. Pois nem para ser uma boa farofada serve.