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Cinema | "Os Croods 2: Uma Nova Era", Resenha por Paulo Costa e Jurandir Vicari




Visualmente deslumbrante, mais dinâmico e com roteiro recheado de críticas sociais importantes e reflexivas 

Por Paulo Costa & Jurandir Vicari


Lançado em 2013, "Os Croods" foi uma animação que, mesmo agradando a crítica, praticamente passou batida pelos cinemas e que ninguém dava nada. Contudo, surpreendentemente depois de uma novela de adiamentos, muitos deles por conta da pandemia, sua sequência finalmente chegou as cinemas nesta quinta-feira, 01 de julho.

Curiosamente, "Os Croods 2: Uma Nova Era" é aquele tipo de continuação que não se imagina que seria feita, e pasmem, a qualidade gráfica deu um grande salto. A aventura esta muito mais colorida e visivelmente nota-se até uma enorme melhora nos acabamentos, assim como cenas e cenários grandiosos riquíssimos em detalhes. Cria-se também de forma exuberante muitas texturas, como a pelagem do tigre que serve de veiculo pelos personagens, que explode aos olhos do expectador. 

O enredo também evolui bastante e desta vez explora ainda mais a saga da família Crood que continua em busca de um novo lugar para estabelecer sua moradia, além de abrigar oficialmente o novo membro, e a primeira grande paixão da filha Eep, o jovem Guy. Desta vez o roteiro segue mais dinâmico, sem muitas delongas faz um breve resumo do filme anterior pela visão do personagem Guy, para em seguida embarcar numa divertida jornada de descobertas.




Os roteiristas Kirk DeMicco e Chris Sanders, que fizeram um bom trabalho no primeiro longa, agora passam o bastão para os irmãos Dan e Kevin Hageman, para explorar novas vertentes, entre elas o ciúme que um pai pode ter de sua filha e também o conflito de gerações, sempre tentando demonstrar se o melhor é o moderno ou o antigo, além de uma importante critica social sobre diferenças de classes e como os mais favorecidos - representados pela família Bemelhor, que se dizem pessoas modernos e evoluídas - enxergam os menos favorecidos - os Croods, a família das cavernas, que nunca tiveram muitas oportunidades na vida -, o que acaba por gerar a exclusão social. A partir desta premissa o roteiro lançado no ar uma inteligente questão: até que ponto essas diferenças podem nos afetar e nos afastar uns dos outros ao invés de tentarmos viver de forma harmoniosa e pacífica, em uma comunidade que aceita as diferenças e sabe dividir quando se tem algo em abundancia?

Vale também destacar que desta vez as mulheres ganham maior notoriedade e a obra explora de forma leve e muito abrangente temas pertinentes como a sororidade, trabalhada na amizade de Epp com a personagem inédita Aurora, e também a força feminina, quando temos em cena o surgimento das Irmãs Trovão, onde ouso arriscar que é um dos momentos mais legais do filme. Assim como a partir deste ponto, trabalha-se muito bem a desconstrução do masculino, mostrando que nem sempre precisa-se de um homem para realizar algo, o que pode desagradar alguns "machos de ego frágil".




O elenco de dublagem original traz nomes de peso como Ryan Reynolds e Emma Stone dando voz aos personagens Guy e Eep. O paizão Grug é interpretado por Nicolas Cage, enquanto a mãe Ugga é vivida por Catherine Keener. A família Bemelhor ganha vida com as vozes de Peter Dinklage e Leslie Mann, como o casal Bem e Esperança. Já por aqui, o elenco de dubladores traz importantes nomes como Luísa Palomanes, Hercules Franco e Raphael Rossatto como Eep, Grug e Guy, respectivamente. Já os astros globais Rodrigo Lombardi e Juliana Paes emprestam sua voz ao casal Bemelhor.

A trilha sonora é um dos trunfos do filme, além dos arranjos instrumentais originais de Mark Mothersbaugh, apresenta canções inéditas como I Think I Love You por Tenacious DWe Are Here Together por Jack Black e Haim, e Feel the Thunder, interpretada pela banda de indie rock feminina composta pelas irmãs Este, Alana e Danielle Haim, que em cena marca o nascimento das Irmãs Trovão.

Com direção de Joel Crawford, "Os Croods: 2 Uma Nova Era" traz ao longo de 95 minutos muita comédia, romance, ação e aventura, se tornando diversão garantida para agradar tanto aos pequenos como aos grandinhos, provando que é possível se fazer continuações tão boas ou até melhores que seus originais.