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Play | "Onde Está Meu Coração", por Jurandir Vicari




Quebrando estereótipos de classe e raça, minissérie entrega um abordagem honesta sobre o mundo das drogas

Por Jurandir Vicari


Os streamings estão aumentando, com a concorrência ficando cada vez mais forte quem ganha é o consumidor. Será? Afinal, com tantas opções, nem sempre conseguimos aproveitar tudo, então vamos te ajuda com o que ver no Globoplay. E a dica da vez é minissérie "Onde Está Meu Coração".

Na trama, acompanhamos a vida de Amanda, uma jovem médica, que usa como válvula de escape pra sua rotina desgastante, as drogas. Ao chegar ao fundo do poço ela vê toda sujeira respingar na sua família, seja em Miguel, seu marido, ou em sua irmão irmã, Júlia. Além de atrapalhar o casamento de seus pais, Sofia e David.

O elenco é encabeçado pela atriz Letícia Collin, que fez inúmeros papeis na TV e no cinema, mas me lembro mais dela em "Malhação" e "Floribella", Miguel é vivido por Daniel Oliveira, de sucessos como "Cazuza - O Tempo Não Para" e "Aos Teus Olhos". A personagem Julia marca a estreia de Manu Morelli na TV, e viverá a próxima protagonista da nova temporada de "Malhação". Os pais da personagem central ficou ao cargo de Mariana Lima, que fez diversos filmes como "O Banquete" e "A Busca", mas o que mais marcou minha memória foi a novela "O Rei do Gado", e Fabio Assunção, nome consagrado na teledramaturgia brasileira por trabalhos como "Os Maias" e "Vamp", e também na sétima arte por filmes como "Entre Idas e Vindas" e "O Primo Basílio".

Falando em Fabio Assunção, não poderia deixar mencionar a sua coragem em participar de uma série onde o foco é o vicio em drogas, sejam elas licitas ou ilícitas. Infelizmente ele teve sua imagem ligada ao vício e por inúmeras vezes viu o seu nome difamado por isso. Contudo, depois de muitas lutas, parece que o ator conseguiu dar a volta por cima, e merece nosso destaque, respeito e total consideração.



Outro ponto positivo da história e apostar em algo fora dos estereótipos. Sempre que se lembra de trafico e consumo de drogas, vem a nossa mente a "Cracolândia" como visto em "Verdades Secretas", ou as "bocas" na periferias das grandes cidades, e também em pessoas marginalizadas. Mas a minissérie quebra essa abordagem ao mostrar uma médica de classe alta, branca, heterossexual, com uma vida aparentemente perfeita, sucumbindo diante de seu vício. Também foge ao imaginário popular o traficante, que aqui é um homem branco, contrariando ao olhar preconceituoso de uma sociedade brasileira que sempre associa marginalidade e negritude da pele, alargando a possibilidade para uma discussão mais ferrenha sobre como as drogas estão inseridas na sociedade, seja em qualquer classe social.

De igual relevância temos o fato de ser abordado tanto o vício em drogas ilícitas como o crack, ou até mesmo no vício da droga lícita e vemos o alcoolismo e como ele pode atingir uma família com a mesma intensidade e perversidade que qualquer outra droga "proibida". Para finalizar como a obra aborda a questão do mundo das drogas, ressalto sobre a discussão do uso da maconha para fins medicinais, mesmo que seja só pincelado e não muito desenvolvido na narrativa, mas ainda assim, tema de suma relevância.

Mesmo com interpretações viscerais, excelentes pautas em debate, infelizmente o desenvolvimento de algumas nem sempre são inteligentes. Derrapa ao insistir em soluções simplistas e personagens clássicos dos folhetins Globais, sem comprometer a experiência como um todo, mas torna mais penoso manter o interesse ao longo dos capítulos.

"Onde Está Meu Coração" é curtinha, apenas 10 episódios e vale uma maratona nestes dias mais frios de pandemia. Tambem é uma recomendação valida por ser uma produção nacional de boa qualidade, para nos "reabilitarmos" de consumir excessivamente tanta séries, minisséries e filmes gringos que tantos nos vicia.