Cinema | "Cry Macho: O Caminho para Redenção", resenha por Paulo Costa
Cinema | "Maligno", resenha por Paulo Costa
Cinema | "Vento Seco", resenha por Jurandir Vicari
Play | "Quem Vai Ficar com Mário?", por Paulo Costa
Cinema | Conheça "Meu Nome É Bagdá"
Cinema | "Uma Noite de Crime: A Fronteira", resenha por Paulo Costa

Play | "A Jornada de Vivo", por Jurandir Vicari



Uma inusitada aventura de cores e de sons, mas que poderia ter agradado muito mais

Por Jurandir Vicari


Estreou na Netflix, na última sexta-feira, 06 de agosto, a animação "A Jornada de Vivo", minhas expectativas estavam altíssimas! Afinal, o material de divulgação apresentava um mashup de "A Família Mitchel e a Revolta das Máquinas" com "Em Um Bairro de Nova York", mas acho que esperei demais. Não é um filme ruim, muito pelo contrário, é engraçado, divertido e pode ser assistido pela família toda mas não chega aos pés dos sucessos dos citados.

O longa me remeteu "A Família Mitchel e a Revolta das Máquinas", por ser também um filme da Sony Pictures e ter um roteiro envolvente e explosivo, além de traços bem semelhantes. Já o musical "Em Um Bairro de Nova York", pois vemos o sucesso de Lin-Manuel Miranda, que participa desse projeto assinando as canções e dublando o fofo jupará, Vivo, um mamífero bem raro, que deveria morar na Amazônia ena  Mata Atlântica, mas que acabou sendo inserido no filme entre Cuba e Miami. O bichinho com certeza foi criado para vender produtos e com certeza e compraria. Dedos cruzados para vir de brinde em algum restaurante fast-food. No Brasil, quem dá sua voz a personagem Vivo é o ator Ítalo Luiz

A trama fala do encontro inusitado de Vivo, com Andrés, depois do bichinho ser transportado junto com algumas frutas para Cuba. Apesar deles não falarem a mesma língua, criam uma grande amizade, e se entendem através da música. Passam seus dias indo do pequeno apartamento até a praça para cantar e tocar, mas tudo isso muda drasticamente quando a Andrés, recebe uma carta de um amor do passado, Marta Sandoval. Após um acontecimento trágico, o animalzinho fica encubado de entregar uma canção de amor escrita por Andrés, para a cantora consagrada, para que Marta descubra o amor secreto que não foi revelado na sua juventude. Em meio a esse turbilhão de acontecimentos, o jupará precisará, mesmo com muita relutância, da ajuda de Gabi, que cheia de energia e boas intenções, não é bem vista por suas amigas, e ela também parece não se dar bem com animais, pessoas e música, mas isso pode mudar.

Uma diferente amizade unida pela música | Divulgação


Além de Lin-Manuel, o elenco de dublagem original inclui nomes como Juan de Marcos Gonzalez ("Mambo Man" e "Buena Vista Social Club"), da cantora e atriz Gloria Estefan ("Música do Coração", "Glee" e "Jane The Virgin") e Zoe Saldana, conhecida por consagradas franquias como "Star Trek", "Vingadores" e "Avatar". Esse time se completa com Brian Tyrre Henry ("Godzilla vs Kong" e "Brinquedo Assassino"), Nicole Byer, ("Broklin Nine-Nine") e  Michael Rooker ("O Esquadrão Suicida", "Guardiões da Galáxia" e "Velozes e Furiosos". Já, em terra tupiniquins, temos Tiago Abravanel, atualmente na Dança dos Famosos, mas que já foi Tim Maia, Snoopy e Sebastião nos teatros e já dublou Detona Ralph, Pets e Mogli - O Menino Lobo.

Nas vozes nacionais temos Rodrigo Miallaret, que além de ser experiente na dublagem, afinal tem em seu curriculum clássicos Disney como "Carros", "Aladdin" e "O Rei Leão", cantou e encantou nas principais montagens nacionais de músicas como "O Fantasma da Ópera", "We Will Rock You", "Mudança de Hábito"  e também do inédito "A Fantástica Fabrica de Chocolate", Andrezza Massei, super conhecida pelos papeis icônicos no teatro musical desde 2001 e podemos citar "A Bela e a Fera", "Cats", "Mamma Mia!", "Wicked" e "Les Misérables", Nina Medeiros de filmes como "A Sombra do Pai" e "As Boas Maneiras", e dos musicais "Annie", "Escola do Rock" e "A Fantástica Fábrica de Chocolate", que teve sua estreia adiada em razão da pandemia, e Shallana Costa, que dublou séries famosas como "Revenge" e "Lucifer". Por aqui o elenco se completa com Tiago Abravanel, já viveu Tim Maia, Snoopy e Sebastião no teatro e dublou "Detona Ralph", "Pets" e "Mogli - O Menino Lobo".

Vale a penas assistir com a  dublagem nacional para prestigiar o trabalho de profissionais incríveis, como o da versionista, cantora, dubladora e outros talento mais Mariana Elisabetsky, conhecida por obras como "Billy Eliot", "Sunset Boulevard" e "Cantando na Chuva". A direção de dublagem de foi comandada por Rodrigo Andreatto, que já dublou uma infinidade de animes, e a direção musical de Felipe Sushi e Daiane Lopes. Temos também o acréscimo de outros atores que já trabalharam em grandes musicais como Letícia Soares, Luci Salutes, Abner Depret, Bia Brumatti, Aline Serra, Bruno Sigrist, que inclusive é um dos fantasmas originais de "Julie e os Fantasmas", e Gigi Patta, que são vozes adicionais para complementar esta aventura. Uma pena que a Netflix corte os créditos finais e esses nomes só são reconhecidos se insistir em pular as recomendações do streaming.

Muitas vezes ser diferente é o que te torna único e especial | Divulgação


O ponto alto deste projeto é a trilha sonora. Se você conhece "Hamilton" e "Em um Bairro de Nova York", vai reconhecer a sonoridade do Lin-Manuel Miranda. Tem até piada com a música chiclete Despacito. Nesse filme, vemos quase que a estrutura clássica de um musical. Entrelaçando bem a história com canções, com diálogos seguidos de músicas para complementar um ao outro. Tudo isso apoiado no roteiro de Kirk DeMicco ("Os Croods") e Quiara Alegria Hudes, que já trabalhou com Lin-Manuel Mira no projeto "Em um Bairro de Nova York", seja nos palcos ou na adaptação para as telona.

O Ponto baixo é como o enredo se atrapalhar no caminho da Florida à Miami. Os acontecimentos no pântano só servem para apresentar mais bichinhos focinhos, como as aves cocheiros Valentina e Dançarino, e também uma cobra assustadora, tornando parte da trama uma grande enrolação, que inclusive destoa do ritmo mais acelerado do resto do filme. A sensação que tenho é de que esta inserção serve muito mais como uma ação de marketing para vender produtos relacionados ao filme, do que propriamente como algo complementar ao seu enredo.

No geral, "A Jornada de Vivo", poderia ser uma animação musical muito mais interessante, mas ainda assim entretém! Tem momentos tristes e alegres, com uma trilha sonora bem envolvente e personagens cativantes e coloridos que despertam empatia de crianças de 8 a 80 anos.