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Tecnologia: a guerra dos streamings


Apple chega bombardeando para todos os lados na guerra dos streamings, e quem ganha com isso?
Por Paulo Costa

Assim como tudo que envolve tecnologia está em constante evolução, a forma de ouvir música, ler livros, jornais e revistas, a maneira de se assistir a um filme e até mesmo conteúdo televisivo já se tornou praticamente toda digital. O que não se imaginava era que isso, em especifico o último exemplo citado, iniciaria uma "guerra" que podemos denominar de "guerra dos streamings".

A Netflix talvez tenha sido a pioneira ao lançar uma plataforma onde o assinante assiste ao conteúdo disponível quando, onde e como quiser. Serviço que tentou se vender para a mundialmente famosa e extinta rede de videolocadoras Blockbuster, que não o aceitando, mal poderia saber que estaria com os dias contados. A plataforma cresceu, se expandiu pelo mundo e começou a criar seu próprio conteúdo, com séries, filmes, documentários, realitys, tudo original. Até contrato com a Marvel fechou e lançou três excelentes temporadas de "Demolidor", além de adaptar também "Jessica Jones", "Luke Cage", "The Punisher", entre outras dentro do universo de super-heróis. Para 2019 promete evoluir a forma de se fazer e exibir Cinema. Começou com "Roma", consagrada obra de Alfonso Cuáron, que abocanhou muitos dos principais prêmios da sétima arte, incluindo o Oscar de Filme Estrangeiro. Com Sandra Bullock, Trevant Rhodes e John Malkovich apostou na adaptação "Bird Box". Temos também o recém lançado "Operação Fronteira" com Ben Affleck, Oscar Isaac, Charlie Hunnam e Pedro Pascal. E vem muito mais, incluindo até o alto escalão de diretores de Hollywood, sendo Martin Scorsese um deles. No quesito seriados, lança ainda este ano a terceira temporada do sucesso "Stranger Things", e após emplacar e transformar "The Umbrella Academy" na produção mais assistida do serviço, confirmou sua segunda temporada.

Batendo a audiência de "Stranger Things", Netflix anunciou segunda temporada de "The Umbrella Academy". (Divulgação)

Depois chegou a Prime Video, plataforma da gigante Amazon, que, assim como a Netflix, possui um vasto catalogo de filmes e séries, sendo alguns um acervo até  superior. Criando também conteúdos originais, já conquistou diversos premiações com suas temporadas de "Marvelous Mrs. Maisel". Ao adaptar obras literárias consagradas como "O Homem do Castelo Alto" e "Electric Dreams" de Philip K. Dick, recebeu elogios do vasto público apreciador de sci-fi. Grande sucesso do streaming, "American Gods" de Neil Gaiman já está em sua segunda temporada e a plataforma lançará em breve outra adaptação do autor, "Good Omens". Ainda apostando no grandioso mercado de cultura geek, será a responsável por transformar em série a conceituada obra de J. R. R. Tolkien, "O Senhor dos Anéis", que já teve um mapa interativo da Terra Média divulgado.

Internacionalmente outros serviços também já começaram a conquistar seu lugar ao sol, apostando também em conteúdos originais, como por exemplo o Hulu que explodiu ao lançar "The Handmaid's Tale", adaptação de "O Conto da Aia" de Margaret Atwood. A primeira temporada estreou de forma tímida até começar a vencer as principais premiações de TV, com Elisabeth Moss desbancando grandes favoritas e, assim, o serviço ainda inédito no Brasil se fortaleceu e segue nesta "guerra". Por aqui, esta série pode ser assistida no Paramount Channel.

Nacionalmente, até a Rede Globo está na disputa de terreno com a GloboPlay, que traz em seu catálogo series mundialmente famosas como "The Big Bang Theory", "Young Sheldon", "The Good Doctor" e até mesmo a primeira temporada de "The Handmaid's Tale", pertencente ao Hulu, conforme mencionado acima. Ao todo, a GloboPlay possui 21 séries internacionais, aproximadamente cem filmes, além de seis séries exclusivas, incluindo o sucesso "Ilha de Ferro", estrelada por Cauã Reymond, Maria Casadevall e Sophie Charlotte. A plataforma também permite assistir material da própria emissora como telenovelas e conteúdos jornalísticos.

"The Handmaid's Tale" do serviço inédito Hulu, chegou ao país através da GloboPlay e da Paramount Channel. (Divulgação)

O mesmo começou a acontecer com canais de TV por assinatura. HBO já lançou o HBO GO e a Fox a Fox+, com ambos os canais disponibilizando todo o seu conteúdo, além de permitir assistir a programação ao vivo. Em alguns casos mais específicos, a plataforma disponibiliza o conteúdo assim que ele se encerra na TV paga, como a HBO com o fenômeno "Game of Thrones" que algumas vezes fez isso.

Até a Disney está na jogada e lançará ainda este ano o Disney+. Por conta deste lançamento, conteúdos que faziam parte do acervo de outros streamings já foram retirados, assim como a não renovação dos conteúdos Originais Netflix em parceria com a Marvel, já que é a dona da coisa toda.

Ainda inédita no país, a DC Comics também marca presença nessa "guerra" com a DC Universe. Lançou as séries "Patrulha do Destino" e "Titans" - esta sendo em territórios sem a plataforma, incluindo o Brasil, como Original Netflix - e aposta ainda em "Monstro do Pântano", além de incluir em seu acervo as ótimas séries animadas já existentes como "Batman Animated" e "Justice League Animated".

Ainda sem previsão de chegar ao Brasil, serviço da DC promete a alegria do público geek (Divulgação)

Claro que, diante do vasto número de apostas que não param de surgir, a Apple não ficaria de fora e em um evento em março divulgou o lançamento da Apple TV+, anunciando uma gama de material original de cair o queixo, o que inclui desde produções assinadas por J.J. Abrams e M. Night Shyamalan até Oprah Winfrey. Entre alguns destaques apresentados, "Are You Sleeping", série com Octavia Spencer, Lizzy Caplan e Aaron Paul, abordará a obsessão dos americanos com podcasts que narram histórias de crimes verdadeiros. Sob o comando de Steven Spielberg, "Amazing Stories" é uma ficção científica sem muitos detalhes revelados e será inspirada em uma famosa séries dos anos 1980. Com nomes consagrados como Jennifer Aniston, Steve Carrell e até Reese Witherspoon, o seriado "The Morning Show" acompanhará os apresentadores de talk shows matinais. Jason Momoa protagonizará uma série de ficção científica onde todas as pessoas no mundo perdem a visão, esta será a trama central de "See".

E não para por aí, ainda foram apresentadas "Defending Jacob", série investigativa sobre um crime que pode ter sido cometido pelo próprio filho do detetive encarregado, com atuação e produção de Chris Evans. Como se ter o Capitão América não fosse suficiente, Brie Larson também estará em uma das atrações do streaming. Ainda sem título, a Capitã Marvel estará no elenco e também na produção da série que mostrará a rotina e experiências de Amaryllis Fox, uma agente da CIA. Ainda do universo Marvel, Taika Waititi, diretor de "Thor Ragnarok" comandará a adaptação de "Os Bandidos do Tempo", longa de Terry Gilliam lançado em 1981.

J.J. Abrams aparece envolvido em dois projetos, o primeiro, "My Glory Was I Had a Such Friends" que junto de Jennifer Garner contará a história de união de uma mulher com suas amigas enquanto aguarda um transplante de coração. Já em "Little Voice", o único detalhe revelado é que  Sara Bareilles estará no elenco. M. Night Shyamalan aparece envolvido em uma série que, ainda sem título ou mais detalhes, terá Toby Kebbell e Rupert Grint no elenco.

E dentre tantas atrações apresentadas, quem também se une a Apple TV+ é a mundialmente famosa Oprah, que anunciou dois projetos: uma série não tão ficcional focada em assédio em ambientes de trabalho tóxicos; enquanto a outra será documental sobre saúde mental.

Apple anunciou o seu serviço streaming e chega nessa guerra armada até os dentes. (Divulgação)

Com a chegada deste novo serviço, e com tantas novidades e nomes de peso envolvidos, já podemos declarar que a "guerra dos streamings" está cada vez maior, o que me gera uma reflexão constante. Quando as TVs por assinatura começaram a expandir no país, apresentando pacotes - o básico mais acessível, o completão nem tanto - muita gente começou a descobrir e a assistir muitos dos conteúdos destes canais de forma ilegal, o famoso "gato net", ou então baixando programas e séries por Torrent mesmo.

A Netflix quando se instalou por aqui, encantou ao permitir que o assinante acessasse parte dos conteúdos, inclusive seriados destes canais pagos, por um preço extremamente acessível. Com outros streamings chegando, quem se interessa e passa a assinar, já gasta pelo menos de R$70,00 a R$100,00 para ter três ou quatro destes serviços. E eis a reflexão que me pego envolvido: será que o futuro dos streamings acarretará novamente a meios ilegais de assisti-los até a chegada de uma nova forma revolucionária de juntar tudo em uma só lugar por um preço justo, e assim entrar nessa espiral sem fim de inovações tecnológicas a princípio vantajosa, até que a gama de concorrentes se expanda e torne o material novamente caro e até mesmo inacessível?

Até lá quem ganha - ou mais perde - com isso, outra vez somos nós, pois de curiosidade em curiosidade, de assinatura em assinatura, o cartão não aguenta, isso incluindo streamings para música, assinaturas de revistas e jornais digitais... mas aí, já é assunto pra outro texto.

Ainda em tempo, vale mencionar que o YouTube, de maneira quase que mínima tentou produzir e lançar seus materiais originais, porém sem muito alarde. A gigante desistiu do projeto e continuará a atuar como uma plataforma aberta, se mantendo neutra na "guerra dos streamings".



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